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Corpo
mitológico: Luiz Delfino e o mito
A teu poder quero dar
limites, Concedendo-te posição tão alta,
Que nem me importa que
tu mesma dites Sentença absolvendo-se da falta.
E neste inferno aceito
sem rancor Que teu prazer provoque a minha dor.
(William
Shakespeare)
Nos
capítulos anteriores apontamos como objeto de estudo, na lírica delfiniana, o
corpo erótico relacionado aos sentidos, a nudez erótica, a submissão, o
fetichismo e morte; e o corpo místico, dando ênfase ao sagrado e ao profano,
analisando poemas referentes a Adão e Eva; e ao sagrado, representado na figura
de Jesus Cristo, sobretudo sua morte e ressurreição, como também a idéia de
Deus: para o eu-poético de Delfino, Ele existe ou não? Analisamos para tanto
poemas em que se questiona sobre a Sua existência ou, em que considerava, ser
Helena o seu Deus e o seu céu.
Em vista disso, trabalharemos, neste capítulo, com o
corpo mitológico, principalmente, com poemas que exaltam a mulher, elevando-a
ao patamar de uma deusa, sendo comparada a grandes nomes da mitologia grega e
romana, conforme veremos nas páginas seguintes. Além disso, exploraremos também
poemas em que Helena é comparada à pérola, que têm o intuito de elevar
Helena à categoria de Deusa; assim como, a análise de poemas que exaltam outros seres e
deuses da mitologia, os quais nos mostram quão grande era o conhecimento de
Delfino sobre esse tema.
Faz-se
necessário também entender o que é o mito, pois em alguns momentos a mulher é
colocada como mito de beleza. Para tanto, utilizamo-nos de teóricos como
Eliade, Barthes, Mènard, Commelin, entre outros. Alguns poemas serão ilustrados
com imagens que, no nosso entender, servem para melhor visualização de nossa
análise e possível inspiração para Luiz Delfino, mostrando-nos, além disso, o
seu conhecimento das artes plásticas.
Consoante
Mircea Eliade, o mito é o relato de uma história verdadeira, ocorrida nos
tempos dos primórdios, quando, com a interferência de entes sobrenaturais, uma
realidade passou a existir, seja uma realidade total, o cosmo, ou tão somente
um fragmento, um monte, uma pedra, uma ilha, uma espécie animal ou vegetal, um
comportamento humano. Mito é, pois, a narrativa de uma criação: conta-nos de
que modo algo, que não era, começou a ser. Ele pode se exprimir ao nível da
linguagem e assim ele é, antes de tudo, uma palavra que circunscreve e fixa um
acontecimento
O mito expressa o mundo
e a realidade humana, mas sua essência é efetivamente uma representação
coletiva, que chegou até nós através de várias gerações. E, na medida em que
pretende explicar o mundo e o homem, isto é, a complexidade do real, o mito não
pode ser lógico: ao contrário, é ilógico e irracional. Abre-se como uma janela
a todos os ventos; presta-se a todas as interpretações. Decifrar o mito é,
pois, decifrar-se. E, como afirma Barthes, o mito não pode, conseqüentemente,
" ser um objeto, um conceito ou uma idéia: ele é um modo de significação,
uma forma". Assim, não se há de definir o mito "pelo objeto de sua
mensagem, mas pelo modo como a profere".
É
aquela ficção, aquela mentira primordial que nos desvela o corpo da verdade. É
o modo originário de interpretação da realidade, certa forma de pensamento válida
como qualquer outra e das mais ricas que existem. E como mentira primordial não
seria explicada pela razão. No entanto, para Kujawski, a contraposição entre
mito e razão é enganosa; o mito tem a sua razão própria e característica, sua
lógica peculiar, e a razão não passa de um mito entre outros.
O mito se define como uma narrativa arquetípica. Os
feitos da história e da razão passam, mas o mito permanece. O mito é o supremo
condensador de tempo, espaço e sentido. Mas não se queira substituir a razão
pelo mito. Basta ampliar o alcance da razão com as lentes do mito. Não cabe
propor a volta ao mito, assim como Rousseau pregava a volta à natureza. Razão e
mito devem andar lado a lado, caminhar juntos. Por isso, não se fale em volta
ao mito. A função do mito está em ampliar nossa consciência, de modo a nos
colocar em plena harmonia intelectual e vital com a realidade.
Assim, esse capítulo
terá duas seções: a primeira, referente a poemas em que Helena é vista como uma
deusa, comparada a deusas da mitologia; e, a segunda, a poemas em que aparecem
outros seres mitológicos que não se relacionam diretamente a Helena, mas que
são importantes para entendermos a intertextualidade presente na obra de Luiz
Delfino.
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Fonte:
Renata Lopes Pedro: “A imortalidade de Helena: o corpo na lírica de Luiz Delfino”. (Tese apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de Doutor em Teoria Literária, Curso de Pós-graduação em Literatura, Universidade Federal de Santa Catarina. Orientador: Prof. Dr. Lauro Junkes). Florianópolis, 2008.
Fonte:
Renata Lopes Pedro: “A imortalidade de Helena: o corpo na lírica de Luiz Delfino”. (Tese apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de Doutor em Teoria Literária, Curso de Pós-graduação em Literatura, Universidade Federal de Santa Catarina. Orientador: Prof. Dr. Lauro Junkes). Florianópolis, 2008.
Notas:
A imagem inserida no texto não se inclui na referida obra. As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra. O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho. Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da obra em sua totalidade. Disponível em: repositorio.ufsc.br
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