24/08/14

A Origem das Espécies, de Charles Darwin

 A Origem das Espécies gratis em pdf Charles Darwin
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"A Origem das Espécies", de Charles Darwin, em PDF Grátis

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Impressiona o fato de boa parcela dos devotos de Charles Darwin ignorar os eventos que antecederam à divulgação das teorias deste naturalista. Muitos, por puro deslumbramento, vêem Darwin como o ícone exclusivo da “evolução”. Esquecem-se ou mais acertadamente desconhecem o fato de que o conceito de “evolução”, ou seja, mudanças no decorrer do tempo, não nasceu com o “A Origem das Espécies”. Em vez disso, porém, refere-se a um fenômeno cultivado inclusive na antiga Grécia.

Muitos estudiosos apontam os gregos Empédocles (que viveu de 490 a 430 a.C.) e Heráclito (que morreu por volta de 480 a.C.) como aqueles que primeiro conceberam a idéia de evolução. Esta questão foi muito bem abordada por José Osvaldo de Meira Penna, em seu interessantíssimo livro “Polemos: uma análise crítica do darwinismo”, publicado pela conceituada editora da UnB (Universidade de Brasília):

"A mitologia grega — podemos inicialmente assinalar — registra personagens e episódios que sugerem uma vaga intuição do fenômeno da evolução. Insinuam, pelo menos, a idéia de uma certa comunidade de origem do homem com toda a vida do planeta. Se é verdade que a concepção do mundo helênica comportava, essencialmente, uma crença na degenerescência ou queda da perfeição original, crença implícita no mito da Idade de Ouro, algumas lendas merecem atenção no sentido de induzirem a possibilidade de progresso na espécie humana, ou de um salto do animal para o homem.” [...] “Seres meio-animais, meio-homens, existiam em abundância na mitologia grega: os centauros, as amazonas, as sereias, os sátiros, a Esfinge que procede do Egito, o Minotauro que recorda a civilização de Creta, etc.” (P. 13).


“Na recorrência cíclica das idades que Empédocles parece conceber, de acordo aliás com a crença geralmente dominante em sua época, encontramo-nos, nós homens incompletos, num período de desordem e decadência. Uma conjuntura provocada por neikos. Na fase lamentável do presente é que ocorre a seleção entre os seres monstruosos e os seres adequadamente adaptados. Empédocles chegou a uma espécie de teoria da evolução pelo exercício da experiência e do erro. Infelizmente, nas lutas que também afetaram os documentos históricos e as obras dos grandes gênios da Antiguidade, não sobreviveram em número suficiente fragmentos que nos oferecessem uma descrição pormenorizada do processo por ele sugerido. Eis por que não é de admirar haja sido nosso charlatão-cientista-filósofo-poeta-místico descrito como um precursor da teoria evolucionista de seleção natural.” (p. 25).

“No mundo dos opostos regido pelas Parcas, a luta pela vida é responsável pelo desabamento do reino primordial do amor. Como que se descrevendo a si próprio nessa trágica condição, é Empédocles “um fugitivo dos deuses e um peregrino, confiante nessa luta frenética, condenado pelo oráculo da necessidade (anankê) a viver entre bichos que nascem como leões, de atalaia em suas cavernas rochosas”. A teologia poética de um discípulo dos pitagóricos concebe urna espécie de carma. Na roda das transmigrações, a alma, fugitiva e aventurosa, encarnou-se “num menino e numa menina, num arbusto e num pássaro e num estúpido peixe do mar” — mas chegará, eventualmente, a ser “um profeta, um bardo, um doutor e um príncipe”. Esse trecho é interessante porque sugere o sentido evolutivo da crença pitagórica na metempsicose, sentido também aparente na doutrina hindu e budista, tão essencial ao pensamento oriental. Em Empédocles, as almas evoluem dessas formas vegetais e animais primitivas para as formas humanas superiores, até finalmente se transformarem em seres imortais que compartilham o alimento dos deuses. A visão mística descreve um esforço para fora, no sentido de transcender o real, sublimar-se. Plus ultra!” (p. 27).

"Na filosofia dialética, da qual foi Heráclito fundador, o fragmento merecidamente mais famoso é o que nos foi transmitido por Hipólito: “Polemos panton men pater ésti, panron de basileus” — “A guerra (polemos) é o pai e rei de todas as coisas; e alguns revela como deuses e outros como homens; e de alguns faz escravos e de outros homens livres”. Na verdade, acentuava o filósofo de Éfeso que a vida é um fogo eterno, pyr aeí son — um confronto polêmico de opostos em permanente tensão criadora. O fogo é um símbolo do logos, e o logos o princípio racional para a compreensão do concatenamento de todos os acontecimentos. Heráclito disso deduzia “ser necessário saber que normal é a guerra, a luta é justa, e todas as coisas correm pela luta e a necessidade”. A metáfora da guerra e da contenda servem-lhe para enfatizar a importância da mudança e da evolução de todas as coisas nesse mundo.” (p.28).

Fonte:
José Osvaldo de Meira Penna. “Polemos: uma análise crítica do darwinismo". Editora UnB (da Universidade de Brasília). Brasília, 2006.

Mesmo quando saltamos para a evolução mais nos seus moldes atuais, especificamente no período em que viveu Charles Darwin, é unanimidade o fato de que a idéia de evolução não fora exclusividade deste naturalista inglês. Na verdade, o que ele elaborou de novo foi apenas o conceito de “seleção natural”, e nem isso fora exclusividade sua, já que se sabe que o Wallace o havia antecedido. Sobre este aspecto, Em seu livro ironiza Tony Rothman, em seu “Tudo é Relativo”:

“Até mesmo algumas crianças de séries escolares elementares sabem que o lento Charles Darwin foi pressionado a completar sua Origem das Espécies ao receber um ensaio escrito pelo naturalista Alfred Russell Wallace, contendo “uma teoria exatamente igual à minha”. A julgar por capas de livros recentes, nas quais lemos que a teoria revolucionária pegou de surpresa um público insuspeito em 1859, o fato de que Charles devia muitas de suas idéias a seu próprio avô, Erasmus — que nunca recebeu crédito por elas —, é menos conhecido.” (p. 266).

Sobre esta “injustiça” cometida contra seu avô, destaca este mesmo autor:

“Provavelmente, apenas os psicólogos poderiam explicar por que Charles Darwin, nascido em 1809, mostrou-se tão relutante em reconhecer as idéias de seu próprio avô”.

Hal Hellman, por sua vez, em “Grandes Debates da Ciência”, afirma com convicção:
“Darwin, deve-se notar, não foi o primeiro a apresentar uma teoria da evolução. A idéia de que espécies não são inalteráveis, mas podem mudar e adaptar-se ao longo do tempo tinha sido pro posta um sem-número de vezes. O próprio avô de Darwin, Eras mus Darwin, já havia defendido a idéia, assim como tinha feito Lamarck (que acreditava que as mudanças causadas pela exposição a influências ambientais poderiam ser transmitidas aos descendentes”. (p. 113).

Todavia, faz-se mister realçar que, mesmo as idéias atribuídas ao próprio Darwin, ainda estas não foram assim, digamos, tão “originais” como é comum pensar-se. Uma rápida lida em seu já destacado livro, é suficiente para notar que ele fez uma verdadeira miscelânea de conceitos bastante em voga na época, como aqueles defendidos por Thomas Malthus, Francis Galton, Herbert Spencer, entre outros.

Por várias “coincidências”, entre elas, a posição financeira e o status social de Darwin, foi ele “escolhido” (atente-se para as aspas) como o melhor representante da ideologia naturalista. Darwin por seus próprios méritos de pesquisador não teria uma centelha a mais de prestígio do que Lamarck ou Wallace. O "sangue nobre" dos wedgwoods prevaleceu. Cumpriu-se ali o velho lema "sobrevivência do mais apto".

É isso!


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Iba Mendes
www.ibamendes.com

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