24/01/14

Novelas do Minho, de Camilo Castelo Branco

 Camilo Castelo Branco - Novelas do Minho - Iba Mendes
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A obra


As Novelas do Minho foram escritas entre 1875 e 1877, na fase de maturidade intelectual de Camilo (1825 – 1890) que, entre 1863 e 1890, permaneceu com regularidade em S. Miguel de Ceide, Vila Nova de Famalicão. São um conjunto de oito novelas, todas redigidas no referido lugar minhoto, excepto «O Comendador», escrito em Coimbra. Seguem-se os títulos das novelas, com a respectiva data de redacção:


«Gracejos que matam», 26 de Agosto de 1875;
«O Comendador», 15 de Outubro de 1875;
«O Cego de Landim», 3 de Julho de 1876;
«A Morgada de Romariz», Julho de 1876;
«O Filho Natural», 25 de Setembro de 1876;
«Maria Moisés», Novembro de 1876 ;
«O Degredado», 20 de Novembro de 1876;
«A Viúva do Enforcado», 1877.

Durante os últimos anos de vida, com família para sustentar e sem outro recurso para além do seu trabalho, Camilo fez da escrita o seu único ganha-pão. As Novelas do Minho foram, portanto, escritas para serem editadas, em publicações mensais, pela editora Matos Moreira e C.ª. As palavras de Albino Forjaz de Sampaio, que teve em seu poder alguns volumes de Copiadores de cartas da editora, testemunham este contexto:

Em maio Camillo pára em Famalicão, em julho na Póvoa, em setembro em S. Miguel de Seide. Em janeiro de 1877 Camillo está no Pôrto e ainda ali está em maio. Em agosto já a correspondência o vai procurar a Seide. Entretanto a crise monetária tornou-se agónica. Êle recebe sucessivamente vários dinheiros, pagamentos de trabalho uns, adeantamentos outros. Pelo Cego de Landim, Morgadinha de Romariz e Conferencias de Oratoriano enviam-lhe 260$000 réis; por duas Novelas do Minho “que remetterá opportunamente”, 160$000 réis; pelo Filho Natural, 250$000 réis; pela Maria Moysés, 160$000 réis; pela 1.ª parte da Viuva do Enforcado, 80$000 réis e pela 2.ª e 3.ª 160$000 réis.

As Novelas do Minho têm como cenário o campo minhoto. Na introdução de «O Comendador», Camilo explicita o seu propósito de nelas mostrar «o miôlo, a medula, as entranhas romanticas do Minho», «os costumes, o viver que por aqui palpita no povoado d’estes arvoredos onde assobia o melro e a philomella trilla» .

Produzidas num contexto coincidente com a emergência da Geração de 70, as Novelas do Minho ocupam um lugar controverso na obra camiliana, sendo situadas por alguns críticos numa fase realista da produção de Camilo. Muita tinta tem corrido em torno desta questão, abordada por Abel Barros Baptista na introdução à sua edição das novelas: uns defendendo a afeição camiliana pelo realismo e naturalismo, outros considerando as suas últimas obras como uma paródia destas novas correntes.

O próprio autor tem alguma coisa a dizer a este respeito. Lê-se no prefácio à 5ª edição do Amor de Perdição, redigido, por Camilo, em S. Miguel de Ceide, a 8 de Fevereiro de 1879, próximo, portanto, da escrita das Novelas do Minho:

Faz-me tristeza pensar que eu floreci nesta futilidade da novela quando as dores da alma podiam ser descritas sem grande desaire da gramática e da decência. Usava-se então a retórica de preferência ao calão. (…) Ai! quem me dera ter antes desabrochado hoje com os punhos arregaçados para espremer o pús de muitas escrófulas à face do leitor! Naquele tempo, enflorava-se a pústula; agora, a carne com vareja pendura-se na escápula e vende-se bem, porque muita gente não desgosta de se narcisar num espelho fiel. (Castro, p. 133)

Posto isto, há aqueles que defendem que as Novelas do Minho representam uma mudança significativa na produção camiliana, outros crêem que esta obra não apresenta alterações de fundo em relação a obras anteriores. Segundo Jacinto do Prado Coelho, «as Novelas do Minho marcam uma nova fase da produção camiliana (…) em parte determinada pela evolução do meio literário português.» (Barros Baptista, p. 21)

Posição diferente é a de Alexandre Cabral que afirma «não serem as Novelas do Minho uma nova maneira de Camilo, visto não se registar qualquer antagonismo de fundo entre este título e os anteriores», mas sim «a síntese da novelística camiliana» (Cabral, p. 135) e acrescenta serem «quando muito, uma paragem de reflexão» (Cabral, p. 139), «um exercício distractivo, para quem, aproveitando uma paragem momentânea, continua o labor incessante na sedimentação do trabalho produzido.» (Cabral, p. 135)

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Fonte:
Carlota Frederica Pimenta: “Edições crítica e genética de «A Morgada de Romariz» de Camilo Castelo Branco”. Dissertação orientada pelo Professor Doutor Ivo Castro. Mestrado em Estudos Românicos. Universidade de Lisboa Faculdade de Letras Departamento de Estudos Românicos. Lisboa, 2009.

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