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07/06/2014

No Princípio das Palavras, de Iba Mendes

 No Princípio das Palavras, de Iba Mendes
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ORIGEM DE ALGUNS RITMOS MUSICAIS
BAIÃO (ou BAIANO) - É uma dança nordestina e de caráter popular, surgida por volta de 1946. Caracteriza-se pelo seu movimento improvisado, com sapateados e estalos de dedos.
BATUQUE - Trata-se de uma dança popular. Ao pé da letra, significa “ação de batucar, de martelar frequentemente.”
BOLERO - Surgido no fim do século XVIII, mui provavelmente na Espanha, o BOLERO é caracterizado por suas letras bastante sentimentais e pelo seu ritmo elegante. Entre algumas das definições sobre a origem da palavra “bolero”, há quem afirme que vem de umas “bilinhas” usadas pelas “boleras”, dançarinas ciganas.
CATERETÊ - De origem ameríndia e tipicamente rural, o CATERETÊ consiste em cantos, sapateados e palmas sob o som de viola. A influência das danças africanas parece de fácil vislumbre.
CHULA - Dança popular do Norte de Portugal, de andamento vagaroso, com canto acompanhado por rabecas, violas, guitarras e percussão (Houaiss).
COUNTRY - Originária das cidades americanas de Nashville e Santa Fé, no começo do século XIX, caracteriza-se pelo uso de instrumentos tais como violões, banjos, bandolins e rabecas.
ELECTRO - Conhecido também por TECNOFUNK, tal ritmo faz uso de efeitos de dub e mixagem, sendo o mais comum o SCRATCHING, que consiste numa percussão obtida segurando-se o disco sobre o prato, num movimento de ida e volta, realizado com a mão.
FANDANGO - Dança popular a três tempos e sapateada, de uso na Espanha, Portugal e Brasil (Dicionário Michaelis).
FOLK - Música folclórica caracterizada, nos Estados Unidos, pelo uso da gaita e do violão; e, na Inglaterra, pelo uso de harpas, violinos, bandolins, gaita de fole etc.
FORRÓ - O famoso “arrasta-pé” é caracterizado principalmente pelo uso da sanfona ou acordeão. Segundo estudiosos, o FORRÓ é uma mistura de ritmos africanos, europeus e indígenas. O maior representante do forró foi Luiz Gonzaga, o conhecido “rei do baião”. Etimologicamente, há quem afirme tratar-se de uma redução forrobodó (baile popular).

HEAVY METAL - Ao pé da letra, significa “metal pesado”. O termo baseia-se no livro “The New Express”, do escritor William Burroughs. O HEAVY METAL caracteriza-se pela ferocidade de seu ritmo.
JAZZ - Surgiu por volta do ano 1840, na América do Norte. Sua principal característica é a improvisação. Há quem afirme que o JAZZ foi inspirado no ritmo do vodu africano.
LAMBADA - Originária do Belém do Pará, a LAMBADA é uma adaptação do Carimbó, com influência do zouk, a salsa e o merengue e vários outros ritmos da América Central. Em termos linguísticos, significa “lapada, paulada, sova, tunda”.
MAMBO - Originárias da América Central, especificamente em Cuba, a dança e música MAMBO foi inspirada em ritmos afro-cubanos, de influência dos cultos religiosos de Congo (África).
MAXIXE - Nascida no Brasil, o MAXIXE é uma dança popular, requebrada e de visível sensualidade.
MERENGUE - Originária da Republica Dominicana, caracteriza-se pela rapidez e malícia do ritmo, no qual o dançante ou dançador mexe o quadril de um lado para o outro.
MINUETO - Dança francesa, de compasso ternário, originária do Poitou, cuja característica é o perfeito equilíbrio dos movimentos.
PAGODE - Surgido na década de 90, do século passado, o PAGODE caracteriza-se pelo seu andamento bastante simplificado, apresentando alguns traços do “choro”. Vale ressaltar que entre alguns povos pagãos da Ásia, “pagode” é um templo.
POLCA - Originária da Boêmia, a POLCA é um tipo de dança animada a dois tempos. Vem do francês polka.

QUADRILHAS - De origem européia, a QUADRILHA surgiu no Brasil no começo do século XIX. Caracteriza-se pelo seu traço tipicamente caipira ou rural, em que os participantes, em diversos pares, desfilam com ruidosa alegria. Há quem diga que a QUADRILHA pela Igreja Católica de antigos cultos pagãos ao fogo.
REGGAE - Originário da Jamaica, o REGGAE é uma mistura do rhythm-and-blus e soul music. Tem como principal representante o falecido cantor Bob Marley. Há quem associe o REGGAE com uma divindade conhecida por Jah.
ROCK - Termo originário do inglês rock and roll, música popular originada nos Estados Unidos, na década de 50. Surgiu a partir da mistura de elementos da música negra (rhythm and blues), com a dos brancos (country). Entre os artistas que criaram o rock, destacam-se Bill Haley, Buddy Holly e Elvis Presley (Nova Enciclopédia Ilustrada Folha).
SAMBA - Dança popular brasileira, de origem africana, com variedades urbana e rural, cantada e muito saracoteada, compasso binário e acompanhamento obrigatoriamente sincopado, que se tornou dança de salão universalmente conhecida e adotada (Dicionário Michaelis). O SAMBA surgiu nos morros Rio de Janeiro. Há quem diga a palavra SAMBA é uma corruptela de “semba”, que, na macumba carioca, diz respeito à mulher que ocupa cargo na hierarquia sacerdotal, equivalente à “mãe de santo”.
SWINGUE - Do inglês “swing”, que significa “balanceio, balouço”. Surgiu na década de 40 do século passado, na América do Norte. É um tipo de dança muito sensual.
TANGO - De origem hispano-americana, o TANGO, que nasceu sob influência da POLCA, é o tipo de dança na qual o casal se abraça para dançar. Para alguns estudiosos da música, o TANGO foi inspirado em variados ritmos africanos.
VALSA - Originária da Alemanha e Áustria, a valsa consiste numa dança de roda lenta, moderada ou rápida, em compasso ternário. Por causa do contato que se dá entre o casal que dança, a valsa chegou a ser proibida em tempos passados. Em nossos dias é comum dançar-se valsa em festas (casamentos, formaturas etc.).
VANERÃO - É uma versão do FORRÓ para a região sul do Brasil.
VODU - Tal ritmo baseia-se num culto de origem africana, praticado nas Antilhas, que tem certa relação com a macumba praticada no Brasil.

XOTE - Surgido no fim do século XIX, na Hungria, o XOTE caracteriza-se pela semelhança de seus passos com a POLCA.


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Fonte:
Iba Mendes: "No Princípio das Palavras". Poeteiro Editor Digital. São Paulo, 2014.

21/04/2014

O dialeto caipira, de Amadeu Amaral

O dialeto caipira - Amadeu Amaral - Iba Mendes
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Amadeu Amaral e a dialetologia no Brasil

As reconstituições históricas dos estudos dialetais no Brasil costumam se iniciar
com uma referência a Domingos Borges de Barros, Visconde de Pedra Branca, que, em 1826, contribuiu para o livro Introduction à l'atlas ethnographique du globe, do geógrafo vêneto Adrien Balbi, com um breve capítulo em que aponta diferenças entre o português do Brasil e o português continental (Pinto 1978, Castilho 1992, Ferreira & Cardoso 1994, Cardoso 2002, Cardoso & Mota 2003). Em referência ao aspecto fonológico, o Visconde de Pedra Branca menciona o falar mais doce, mais ameno como característico do Brasil.

Considerando o aspecto lexical, apresenta, a título de exemplificação, um grupo de 8 palavras que adquiriram novos sentidos no Brasil, diferenciando-se do uso dos termos em Portugal, e um outro grupo de itens lexicais, que reúne 50 nomes atestados na colônia e desconhecidos na metrópole. (O texto de Pedra Branca está reproduzido em Pinto 1978: 5-7).

A partir desse marco, que coloca a questão das peculiaridades do português falado no Brasil, identifica-se na história da dialetologia no Brasil, conforme periodização proposta por Ferreira e Cardoso (1994), uma fase inicial que se caracteriza pela predominância de estudos voltados basicamente para o léxico. Dicionários, vocabulários, léxicos regionais, produzidos nesse período, procuram registrar peculiaridades do léxico do português do Brasil, em âmbito geral ou regional. Ferreira e Cardoso (1994: 38- 39) fazem referência a vários trabalhos dessa natureza, entre os quais incluem: Dicionário da língua brasileira, 1832, de Luís Maria Silva Pinto, Popularium sulriograndense e o dialeto nacional, 1872, de Apolinário Porto Alegre, Dicionário brasileiro da língua portuguesa, 1888, de Macedo Soares, O tupi na geografia nacional, 1901, de Theodoro Sampaio. Com uma abordagem mais ampla, que não se restringe ao estudo do léxico, registra-se nesse período o trabalho de José Jorge Paranhos da Silva, O idioma hodierno de Portugal comparado com o do Brasil, de 1879.

A publicação de O dialeto caipira, de Amadeu Amaral, em 1920, constitui, ainda
segundo as Autoras mencionadas (Ferreira e Cardoso 1994, Cardoso 2002), o marco inicial de uma nova fase da pesquisa dialetológica brasileira. Apesar de se constatar ainda o interesse pelo enfoque lexicográfico, manifestado em numerosos trabalhos, nessa fase se inauguram os estudos que se voltam para a observação da língua em uma determinada área, procurando caracterizá-la não só em termos léxico-semânticos, mas também do ponto de vista fonético-fonológico e morfossintático. É essa inovação que Amadeu Amaral representa, constituindo-se em incentivo e modelo para o estudo dos falares regionais. Seu estudo de caráter monográfico revela uma preocupação com a observação dos dados in loco, e com o exame dos diferentes aspectos da realidade observada. Na mesma linha de Amadeu Amaral, destacam-se também, no início dessa fase, Antenor Nascentes, com O linguajar carioca em 1922, publicado em 1923, e Mário Marroquim, com A língua do Nordeste, de 1934, em que descreve o português de Pernambuco e Alagoas.

Significativamente, Nascentes dedica O linguajar carioca a Amadeu Amaral, afirmando que o paulista ''mostrou [em seu trabalho] a verdadeira diretriz dos estudos dialetológicos no Brasil" (Nascentes 1923 I 1953: 3). Da mesma forma, Marroquim, acentuando a necessidade do estudo de nossas tendências dialetais, ressalta que, com O dialeto caipira, Amadeu Amaral "abriu resolutamente o caminho, dando um exemplo que deve ser imitado" (Marroquim 1934 I 1945: 7).

Em um balanço que faz da dialetologia brasileira, Rossi (1967) também menciona Amadeu Amaral, situando-o no estágio inicial da área, ao lado de outros que também fizeram estudos parciais, como Marroquim (1934), José Aparecida Teixeira (1938, 1944), Aires da Mata Machado Filho (1933). Por sua vez, Brandão (1991), re1embrando a história dos estudos dialetológicos no Brasil, acentua a importância de O dialeto caipira, reconhecendo seu autor como "o primeiro dialetólogo brasileiro". Segundo a Autora, a partir dessa primeira tentativa de descrever um falar regional brasileiro, ganha corpo o interesse pelo estudo da variante brasileira do português em sua modalidade falada. Mais que isso, para Brandão (1991 :43), Amadeu Amaral lança "a semente da geografia linguística" ao reconhecer a necessidade de pesquisa séria e imparcial voltada para as 'modalidades locais e regionais', condição para se saber 'com segurança quais os caracteres gerais do dialeto brasileiro, ou dos dialetos brasileiros, quantos e quais os subdialetos, o grau de vitalidade, as ramificações, o domínio geográfico de cada um' (Amaral 1920 I 1982: 44).

Pinto (1981) também aponta o caráter inovador de Amadeu Amaral no quadro da reflexão sobre a língua portuguesa no Brasil. Para a Autora, ele é um dos "grandes pioneiros" da renovação dos nossos estudos lingüísticos observada no período de 1920 a 1945, renovação que assinala uma "opção pelo enfoque dialetológico, em detrimento do filológico, até então predominante" (Pinto 1981: XVIII).

Resumindo as avaliações expostas, dois aspectos inovadores devem ser destacados no estudo de Amadeu Amaral, que justificam a importância que lhe é atribuída: por um lado, o enfoque da variedade regional em questão em seus diferentes aspectos- fonético, lexical, morfológico e sintático -, indo além do levantamento lexical, a que se limitavam basicamente os estudos dialetológicos até então, e, por outro lado, o cuidado metodológico revelado pelo Autor, conferindo confiabilidade à descrição. Ao apresentar, com modéstia, seu trabalho, Amadeu Amaral aponta esses dois aspectos, ao afirmar que sua contribuição é apenas um começo, e que se dará por satisfeito se tiver "conseguido fixar duas ou três idéias e duas ou três observações aproveitáveis, neste assunto, por enquanto, quase virgem de vistas de conjunto, sob critérios objetivos" (Amaral 1920 I 1982: 43). (Destacamos.)


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Fonte:

Vandersí Sant'Ana Castro: A Resistência de Traços do Dialeto Caipira: Estudo com Base em Atlas Lingüísticos Regionais Brasileiros. (Tese apresentada ao Curso de Lingüística do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas como requisito parcial para obtenção do título de doutor em Lingüística. Orientador: Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho). UNICAMP, 2006. Disponível em: www.bibliotecadigital.unicamp.br