25/03/2016

Sermão XII, do Padre Antônio Vieira

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Sermão XII, do Padre Antônio Vieira



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Padre António Vieira: o militante do Império 

“Em face deste jesuíta formado no Brasil e tendo-o como o mais completo teórico do império português, são de se desprezar as discussões que reivindicam de Vieira um enquadramento quer de português ou de brasileiro. Foi, antes acima de tudo, um militante do Império”.

“Que  pode  ser  mais  globalizante  do  que  um  indivíduo?

Sobretudo em se tratar de um indivíduo de certa importância, de certa visibilidade social?”. Tratava-se de um apelo do autor pelo retorno das biografias históricas que há muito haviam sido abandonadas pela grande maioria dos historiadores, denunciando uma preferência clara da historiografia recente pelas histórias coletivas. Este apelo teve ressonância nesta tese, que viu no Padre António Vieira um exemplo notável de uma pessoa cuja vida e trabalho geraram influências de alcances globais.

Por certo, que uma investigação acadêmica das permanências exige sempre um universo de pesquisa amplo em tempo e espaço. Neste sentido, constatou-se na personagem do Padre António Vieira, uma biografia de extrema valia para um estudo que se insere na perspectiva da longa duração. Afinal, tanto a longa vida do jesuíta, que já ancião morre aos 89 anos de idade, quanto suas experiências nos mais diversos campos de atuação fizeram com que, através de seus escritos, fosse possível um traçar dos vestígios e heranças das tradições medievais, ou seja, das permanências. Por esta razão, julgou-se necessário um breve resumo biográfico do ilustre padre.

Nascido nas proximidades da imponente Sé de Lisboa, em 06 de fevereiro de 1608, Padre António Vieira primeiro se mudou para o Brasil aos seis anos de idade, ainda menino quando seu pai, Cristóvão Vieira Ravasco, aceitou emprego na Bahia. O ano era 1614, e apesar de haver aproximadamente 28 anos que se encontravam sob o jugo castelhano, os portugueses viviam uma fase de relativo orgulho com a derrota dos franceses no Maranhão. Em 1624 uma nova frente bélica veio, porém, provar que os resultados das operações lusitanas em sua tentativa de instaurar a paz e o domínio sobre a colônia eram lacônicos. Trata-se de quando Portugal terçou armas novamente em solo brasileiro, desta vez na Bahia, contra os inimigos de comércio e de fé, os holandeses.

Foi precisamente esta mesma guerra luso-neerlandesa, que iniciou em 1597, mais de uma década antes do seu próprio nascimento e guerra esta que duraria para além de todo o seu período de formação no Colégio da Bahia, que Vieira pregou anos mais tarde, em seu célebre “Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as da Holanda”. Sem dúvida que nascer, crescer e se formar sob o espetáculo deste teatro de colisões hostis influenciou em muito as teorias bélicas e pacifistas do pregador.



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Fonte:
Raquel Drumond Guimarães: “Vestígios do medievo nos Sermões do Padre António Vieira”. (Tese apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor, ao Programa de PósGraduação em História, da Universidade Federal de Santa Catarina. Linha de pesquisa: Relações de poder e subjetividades. Orientador: Prof. Dr. Valmir Francisco Muraro). Florianópolis, 2012.

Nota:
A imagem inicial inserida no texto não se inclui na referida tese.
As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra.
O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho.
Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade.

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