10/01/16

Sermão de Santa Teresa e do Santíssimo Sacramento, de Padre Antônio Vieira

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A visão de Vieira de acordo com a ocasião

Após esta reflexão sobre o profetismo vieiriano e outros concorrentes, penso ser possível afirmar que as situações vivenciadas pelo jesuíta, enquanto elaborava seus escritos proféticos, refletiam-se na redação de seus sermões, inclusive nas diferenças entre eles. Destaco pelo menos três momentos de “amadurecimento” da profecia de Vieira de acordo com a situação vivida por ele. Um Vieira “inicialmente” visionário, que, como outros autores, enxergava o Encoberto na figura de D. Sebastião (tendo, inclusive, escrito um sermão inteiro em sua homenagem). Nesta fase, baseava suas próprias previsões nos presságios de Bandarra, nos quais encontrava mais indícios da volta de D. Sebastião do que qualquer outro rei, concordando neste ponto com o autor de Ante-Vieira. O segundo Vieira era extremamente “grato” a D. João IV, que o promovera na corte e o permitira ainda ser diplomata e pregador oficial do reino, além de ser seu amigo e confidente. Ainda que redigindo como visionário, tratava-se, acima de tudo, de um Vieira que legitimaria este rei como sendo o “Encoberto”. Por fim, um Vieira “realista”, que precisava escapar da Inquisição e não podia perder a sua exegese profética e se contrariar em momento nenhum para não sofrer uma pena muito pesada. Foi quando optou por D. Afonso como sendo o Encoberto, uma vez que D. João IV não ressuscitara como antes predito.

Com isso não quero de forma alguma separar três Vieiras completamente distintos, mas como tantos outros estudiosos do jesuíta, mostrar que ele era um só: em um momento um jovem empolgado, iniciando a sua exegese profética, que o caracterizou como um visionário; em outro momento, um adulto que, sem abandonar sua tese, era grato a D. João IV, que lhe fizera tão bem; por último, o momento de sua velhice, que o tornara mais sério e realista, mais preocupado em provar sua “verdade”, para não sofrer duras conseqüências e também com um “restinho” de vontade de voltar a ter prestígio na corte, que acabou se provando um esforço em vão.

Apesar das variações acima assinaladas, é importante realçar que em todos os momentos da vida de Vieira a questão profética foi fundamental e levada muito a sério, conforme pode ser averiguado em vários escritos nesta linha produzidos pelo jesuíta nas mais diferentes etapas de sua longa vida e extensa produção literária. Por isso se torna importante para quem estuda Antônio Vieira entender melhor este debate acerca de suas interpretações de profecias e de outras que dialogavam com elas.


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Fonte:
Leonardo Soares Barbosa: “O Quinto Império: profecia e pragmatismo nos escritos de padre Antônio Vieira”. (Dissertação apresentada ao Programa de pós-graduação em História na área de concentração: Narrativas, Imagens e Sociabilidades, da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre. Orientadora: Profª. Drª. Beatriz Helena Domingues). Juiz de For a, 2010.


Nota:
A imagem inicial inserida no texto não se inclui na referida tese.
As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra.
O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho.
Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade.

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