17/01/16

Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, de Padre Antônio Vieira

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A Contra-Reforma
  
A perda de fiéis, em conseqüência da Reforma Protestante, levou a Igreja Católica a se organizar num movimento denominado Contra-Reforma, partindo principalmente da Espanha (onde o catolicismo e a pátria formavam uma unidade inseparável) e Portugal, países que ainda conservavam uma forte tradição do cristianismo medieval.

Frente a aquilo que se considerava uma ameaça à unidade do mundo católico, a Igreja católica expressou claramente os limites que a separavam das novas doutrinas; confirmou o princípio da unidade com a conservação do latim para o culto em todos os países; reafirmou o poder supremo do sumo pontífice como pastor universal e único intérprete das Escrituras; corruptos foram expulsos da Igreja e a venda das indulgências proibida; foram fundadas ordens religiosas com severas disciplinas que dependiam diretamente do Papa; foi criada a Comissão do Index, encarregada de examinar os livros publicados e elaborar um catálogo de obras, cuja leitura ou posse era vedada.

Para tomar posição frente à Reforma Protestante, a Igreja Católica convocou o Concílio de Trento, uma grande assembléia de prelados, cujas sessões realizaram-se, com grandes intervalos, de 1545 a 1563. Embora decidisse a favor de uma melhor preparação do clero e a depuração dos costumes, o Concílio manteve os dogmas medievais e aquilo que causou a Reforma Protestante.

O Concílio de Trento também revigorou o Tribunal do Santo Ofício ou Santa Inquisição, criado no século XII; tinha o objetivo de investigar e combater as heresias. O costume de queimar os hereges em autos-de-fé fora instituído pelo Papa Inocêncio IV, em 1252. Eram crimes para o Santo Ofício: judaísmo, heresia protestante, feitiçaria, usura, blasfêmia, bigamia, entre outros. Aquele que tinha ciência da prática desses fatos e não denunciava, também sofria a punição. Até denúncias anônimas, de testemunhas de ouvida ou denúncias de meros indícios ou presunções eram aceitas. Ao preso não era comunicado o motivo da prisão, nem o nome do denunciante; o defensor era nomeado pelo próprio Tribunal; os réus que se declaravam arrependidos eram absolvidos, sob o juramento de jamais declarar o que acontecera portas adentro da Instituição; quebrar esse segredo era comparado ao crime de heresia. Os que persistiam em negar a Cristo eram queimados vivos. A pena dos condenados recaía também sobre os descendentes por algumas gerações, sendo que não poderiam exercer funções na Igreja, no Estado, usar jóias valiosas, nem andar a cavalo; a conseqüência da transgressão de uma falta grave resultava em confisco de bens. Os autos públicos eram realizados com grandes pompas festivas na praça da cidade, às vezes em homenagem aos monarcas.

O Tribunal da Santa Inquisição foi muito ativo na Espanha a partir de 1480, e em Portugal foi instituído em 1536. O solo espanhol foi regado com muito sangue nos 18 anos do comando de Torquemada. Nos Países Baixos, o Santo Ofício, sob o comando do Duque de Alba, executou 1800 indivíduos em 3 meses e após a tomada de Haarlem, foram massacrados 15000 sitiados.

Referente à perseguição em Portugal, Ferreira (1971, p. 470) sustenta:
  
Ninguém estava forro de tão sanguissedento tribunal. Os espiões não afrouxavam a vigilância, os fanáticos acorriam a declarar os suspeitos. Por um vago dito de há anos, um gesto inconsiderado, qualquer pessoa poderia ver-se sepultada viva nos ergástulos do Santo Ofício. Estão publicados nos processos contra alguns homens eminentes da literatura nacional. Neles se descobrem a mesquinhez das acusações e o perigo que a todos cercava. Um terror pânico devia estrangular as almas.

Um exemplo, entre muitos outros, foi o julgamento e condenação do P. Vieira, após um longo processo, porém, absolvido posteriormente.


Esse implacável Tribunal, poderoso instrumento da Contra-Reforma, espalhava medo, castigo e morte, com o objetivo de dominar as consciências dos desprotegidos mortais.


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Fonte:
Roberto Teodoro Jung: “Retórica e pregação religiosa no Sermão da Sexagésima do Padre Antonio Vieira”. (Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras – Mestrado, Área de Concentração em Leitura e Cognição, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Letras. Orientador: Prof. Dr. Jorge Molina). Santa Cruzdo Sul, 2008.
Nota:
A imagem inicial inserida no texto não se inclui na referida tese.
As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra.
O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho.
Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade.

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