17/01/16

Sermão da Quinta Dominga da Quaresma, de Padre Antônio Vieira

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O Maneirismo

Sendo que o Barroco espanhol, com o nome de Maneirismo, firmou suas raízes na época medieval, é mister fazer uma breve retrospectiva desse estilo literário.

Há os que consideram o Maneirismo um estilo cronologicamente situado entre o Renascentismo e o Barroco; para outros, a poesia maneirista da Itália e da Espanha, assim como o preciosismo na França, são fenômenos semelhantes ao Maneirismo nas artes plásticas.

Curtius (1996, p. 341-374), por sua vez, declara que o Maneirismo foi uma manifestação artística oposta ao Classicismo e que perpassou os períodos desde a Antigüidade Clássica; do latim medieval passou às literaturas em língua vulgar, chegou ao século XVII e enraizou-se firmemente na Espanha; portanto, não surgiu como produto acabado, mas teve uma história de dois mil anos. O Maneirismo era certa maneira artística que podia expressar-se nas mais diversas formas, sufocando a norma clássica. Esse estilo é visto como uma tendência literária que estava em oposição ao equilíbrio de Classicismo e que o degenerava.

Muito do que se chama de Maneirismo, hoje se considera Barroco; por isso Curtius prefere o termo Maneirismo, pois a palavra Barroco contém muitos elementos históricos, de aspecto geral. O clássico normal se expressa de forma natural, adequado ao tema; o risco do Maneirismo tornar o discurso excessivamente, sem ordem e sentido. Na retórica manifestou-se um germe de Maneirismo constatado no uso de muitas figuras como hipérbatos, perífrases e metáforas. O maneirista transgredia as formas normais de expressão; privilegiava artifícios, pois desejava surpreender, assombrar, deslumbrar. Esse estilo podia manifestar-se na forma lingüística ou no conteúdo intelectual engenhoso.

Curtius não concorda com a separação entre cultismo e conceptismo; argumenta que a expressão bem-cuidada é condição preliminar para a eficácia de idéias engenhosas; ele cita Gracián, que recomendara a agudeza de espírito como meio para exprimir culturalmente seus conceitos.


Conforme o autor, para a compreensão das palavras arte e engenho, a invenção, o rigor e a faculdade como as mais valiosas qualidades de um orador; mas esse engenho pode tornar-se um defeito se não estiver unido ao discernimento, ao juízo. O maneirismo do fim da Antigüidade e da Idade Média, entretanto, enfraqueceu a influência de Quintiliano, principalmente na Espanha, de forte influência medieval. Marciano Capela, como mestre do Ocidente latino, relatou a introdução da matrona Retórica numa alegórica assembléia dos deuses, descrevendo o efeito do seu discurso e admirava o engenho inventivo, a eloqüência, a memória, a ordem, a modulação da pronúncia e movimentos dos gestos; aparecem aqui os aspectos mais brilhantes da retórica, a essência da invenção (procura por argumentos) no engenho, dois conceitos fundamentais do maneirismo.


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Fonte:Roberto Teodoro Jung: “Retórica e pregação religiosa no Sermão da Sexagésima do Padre Antonio Vieira”. (Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras – Mestrado, Área de Concentração em Leitura e Cognição, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Letras. Orientador: Prof. Dr. Jorge Molina). Santa Cruzdo Sul, 2008.
Nota:
A imagem inicial inserida no texto não se inclui na referida tese.
As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra.
O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho.
Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade.

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