27/09/15

Poesia Maranhense: A Atenas renascida, de Salomão Rovedo

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Introdução

Em geral na maioria das vezes tenho reproduzido meus escritos antigos – da era pré-internet – deixando-os como saiu na publicação original. Neste caso, porém, me dediquei a fazer a revisão devido às implicações de ordem cronológica. Revisei datas, confirmei nomes e – seguindo ensinamento de Gabriel García Márquez – excluí a maioria das palavras terminadas em “mente”. O fantasma de Gabo me persegue: todas as vezes que chego nessa encruzilhada ouço a voz sepulcral me alertando sobre a expressão “mente”, até que – por fim – se tornou um ótimo exercício para este escrevinhador. Tenho muito cuidado com as traições que arrastam consigo “um”, “uma”, “meu”, “minha”, “os”, “as” – possessivos na extrema acepção do termo, que insistem invadir a cabeça dos escritores: por isso o receio de deixar pra trás qualquer escorregadela – esse negócio de citar nomes, datas, excertos de obras é trabalhoso e merece cuidados. De qualquer modo, sou grato a Gabriel García Márquez pelo conselho e por deixar à disposição o seu fantasma: que me persiga para sempre, amém.

O exemplar do D. O. Leitura que este artigo foi publicado já se encontra amarelado e podre. Urgia digitalizá-lo antes que se esfarelasse – fui à luta, pois... Publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (IMESP), sob a regência de Wladimir Araújo (Editoria) e Ionaldo Cavalcanti (Arte), o D. O. Leitura provocou reviravolta nas edições culturais, tendo como foco a liberdade de expressão, aberta a todos os pensamentos. Ora, direis, não deveria ser sempre assim? Deveria, mas não é. Nas vinte páginas do exemplar citado – D. O. Leitura, São Paulo 5(49) jun. 1986 – a variedade de publicados abrange grande parte dos temas culturais:

“Carlos Gomes: 150 anos”, de Juvenal Fernandes. Neste artigo Juvenal Fernandes não só resume a vida e a obra de Antônio Carlos Gomes (Obra completa e quadro cronológico), como dá a conhecer José Pedro de Sant’Anna Gomes, irmão mais velho, virtuose em violino, viola e clarineta, ele mesmo compositor de duas óperas. Sant'Anna Gomes deixou herdeiros musicais nas figuras dos filhos Alfredo Gomes, violoncelista com bolsa e prêmios em Bruxelas e Alice Gomes Grosso, pianista. Alice deu sequência à família de Maneco Gomes – o patriarca: é mãe de Iberê Gomes Grosso (cello), Alda Grosso Borgeth (violino) e Ilara Gomes Grosso (piano). E por aí vai...

“Cana-de-açúcar x Café”, de Ernani Silva Bruno, trata da disputa entre as duas importantes agriculturas em terras paulistas, cavoucando suas raízes a partir do Século XVIII.

“O dialeto crioulo e a literatura em Cabo Verde”, de João Alves das Neves, artigo em que especula sobre o avanço da fala cabo-verdiana, cuja amplitude literária e gramatical deixa margem a interrogações se já não é uma língua. Em quadro o autor enfeixa pequena antologia da poesia de Cabo Verde escritas em dialeto crioulo.

Audálio Dantas escreve “Gil Passarelli, caçador de imagens”, em que ressalta, ilustrado pelas próprias imagens do fotógrafo, a qualidade da fotorreportagem na imprensa.

Anita Leocádia Prestes, em “A coluna Prestes, uma nova visão”, a filha de Luiz Carlos Prestes busca respostas para a pergunta: – Então, por que a Coluna?

“O Alienista: tese, antítese e síntese”, de Eduardo Maffei, escritor e médico, tenta escapar do labirinto “entre o trágico da loucura e a comédia da normalidade", analisando a obra-prima de Machado de Assis. “Talvez o Dr. Simão Bacamarte ainda esteja recolhido aos seus livros na Casa Verde de Itaguaí, à sua procura”.

“A lepra e a cobra”, de Lycurgo de Castro, trilha o caminho da lepra antes de tornar-se hanseníase, em época que eram atribuídas à doença as causas mais extravagantes, ocasionando tratamentos mais extravagantes ainda.

“O budismo japonês em São Paulo”, de Yukyo Ponce, descobre que existe pontos de atritos entre os budistas brasileiros e a vertente nipônica. Quem diria!

“A literatura de cordel em São Paulo”, no qual Franklin Maxado, ele mesmo cordelista paulistano, desvenda a produção da poesia popular nordestina em pleno coração de São Paulo, na Praça da República e bairros onde a presença do nordestino é prevalente.

Afora tantos artigos, o D. O. Leitura reserva duas páginas para resenha de livros, concursos e prêmios literários, coisa rara hoje em dia. É ou não é uma publicação de peso? Por isso e por essas é que não me canso de elogiar o trabalho árduo de Wladimir Araújo e Ionaldo Cavalcanti nos idos em que tínhamos nos esquecido de como fazer cultura com liberdade.


Rio de Janeiro, Cachambi, 22 de julho de 2014.

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