03/01/15

Infelizes (Contos), de Ana de Castro Osório

Livro provisoriamente disponível em "Minhateca", no link abaixo:


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Ana de Castro Osório e o direito à educação

Ana de Castro Osório e o direito à educação A fim de colmatar o atraso nacional num período politicamente conturbado, de transição entre a Monarquia e a República, Ana de Castro Osório propõe em Às Mulheres Portuguesas (1905) que se eduque a mulher portuguesa de todas as classes sociais. Nessa colectânea de ensaios, dirige-se às mulheres do seu país, “que tão insuficientemente são educadas para serem as companheiras e as mães do omem moderno” de modo a apresentar-lhes uma análise da situação de atraso nacional vigente pela inexistência de escolas que preparem a população portuguesa, maioritariamente feminina. Ao tomar conhecimento de quem a Autora aponta como destinatárias deste ensaio, compreende-se melhor a sua preocupação com o facto de a mulher portuguesa não estar a ser devidamente preparada para exercer as funções sociais de companheira e mãe do homem português. Consciente da tradição do governo português de importar modelos de educação estrangeiros a cada nova legislatura, Castro Osório apela, no mesmo texto, à implementação de “uma educação fundamentalmente portuguesa”. Ainda, explica que o estudo e o trabalho constituem o veículo para a mulher de todas as classes sociais adquirir a sua “carta de alforria.

Castro Osório diferencia a educação a oferecer à mulher casada daquela que a mulher solteira deverá receber. A publicista feminista propõe educar a mulher mãe de modo a muni-la de habilitações que permitam fazer dela um apoio constante do marido, assim como uma educadora exemplar dos filhos. Do mesmo modo, propõe a educação da mulher solteira ou chefe de família para que esta tenha meios de se sustentar a si e aos seus (Osório 1905). No ensaio “No aniversário duma escola,” inserido em Às Mulheres Portuguesas, a publicista elogia o trabalho desenvolvido pelos professores e sugere que no futuro sejam as mulheres solteiras a educar as crianças, desempenhando a função de professoras primárias, pois as casadas têm outros afazeres na família, junto do marido e dos filhos (Osório 1905). Através das suas palavras, nota-se que além de distinguir a educação direccionada à mulher mãe, útil na esfera privada, daquela destinada às mulheres solteiras, livres para exercer uma profissão, Castro Osório coloca a mulher casada mãe numa categoria distinta, limitada ao espaço doméstico. No que concerne à mulher solteira, Castro Osório atribui-lhe o desempenho de funções que exigem a transferência dos dotes maternais da jovem para a esfera pública, educando os pequeninos, o que evidencia o quanto a vertente maternal da mulher é cara ao seu projecto educativo. De facto, a visão restritiva da educação feminina cujos ensinamentos e exercício de funções dependem do estado civil do educando sublinha a vertente conservadora positivista do ideário feminista da publicista.


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Fonte:
Célia Carmen Martins Cordeiro: "Ana de Castro Osório and the Portuguese Republican Woman: Vehicle of Regeneration of the Nation and of Preservation of the National Identity". (A master´s thesis submitted to the Faculty of the Graduate School of the University of Minnesota). Minnesota , EUA, 2012. Disponível em: conservancy.umn.edu

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