05/08/14

Agostinho de Ceuta (Teatro), de Camilo Castelo Branco,

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Camilo e o Teatro de Vila Real

Em 1858, Francisco Gomes da Fonseca, um editor nascido em terras da Feira e estabelecido no Porto, reeditava a primeira obra dramática de Camilo Castelo Branco, o Agostinho de Ceuta. O autor, que na época já havia conquistado um importante lugar no panorama das letras, entendeu anteceder o drama de um prólogo – em substituição do que escrevera para a edição original de 1847 – , visando conquistar a benevolência do público para a incipiente obra juvenil que
constituíra o seu primeiro ensaio nos domínios da dramaturgia:

Há doze anos que um rapaz, sem leitura, sem meditação, sem crítica, nem gosto escreveu um drama para ser representado em teatro de província.

Logo adiante, revelava que a primeira edição havia sido composta nas “tipografias de Bragança”, “de onde nunca tinha saído coisa melhor, nem pior”, tendo depois sido enviada a um livreiro portuense que a “comprou a peso”; recordava as suas “alegrias e quimeras” da época em que escrevera o drama e as “vítimas que imolou ao seu orgulho de dramaturgo”, por considerar “que tinha jus a impingir a leitura da sua tragédia à família, e aos vizinhos”; citava entre estes o nome de Luís de Bessa Correia “que ainda hoje me faz chorar o coração, como ele então chorava de riso; e terminava perguntando-se se o livro, escrito em 1846, seria ou não “menos tolo que outros escritos em 1858”.

Certo é que Camilo, pouco antes de escrever este Prólogo da 2.ª edição, tinha a obra por medíocre, pois, em 1857 e dirigindo-se pela imprensa a um amigo que iniciava carreira nas letras com um drama, afirmara que “isso é pecado que tem levado muito escritor ao inferno... das vulgaridades, e eu creio que já lá estou vestido e calçado com aqueles Agostinho de Ceuta e Marquês de Torres Novas, que não posso dizer de horrível memória, porque ninguém se lembra deles”. O jovem autor era José Maria Dias Guimarães, o Dias da Feira, que havia representado o primeiro papel do Agostinho de Ceuta aquando da sua estreia portuense no Teatro de Camões, em Dezembro de 1848, e Camilo, mais tarde, nos Serões de São Miguel de Seide, ao evocar a amizade que os uniu, uma vez mais depreciaria os méritos da obra:

Fomos ambos sublimes! Eu espatifava a gramática, a história e o bom senso. Ele espatifava os corações das plateias remoendo nos dentes as minhas frases até as fazer espirrar grumes de sangue às caras mais insensíveis da rua das Flores e travessas circunjacentes.

Há que dizer, contudo, que o drama publicado em 1858 seria talvez mais tolo que as suas produções literárias desse ano, mas era-o por certo menos que aquele que fora impresso em 1847, pois surgia já corrigido de alguns dos seus mais óbvios defeitos, apontados por Camilo Aureliano da Silva e Sousa logo após
a sua estreia no Porto, em benevolente apreciação crítica cuja pertinência o autor reconheceu e da qual fez bom proveito.

Não muito depois da vinda a público da segunda edição do Agostinho de Ceuta, quando, em 1861, Camilo e Ana Plácido se encontravam na cadeia da Relação a aguardar julgamento por crime de adultério, Vieira de Castro publicou a primeira biografia do Romancista, obra destinada a atenuar a generalizada animadversão para com os amantes e a influenciar o júri, a quem pertenceria a última palavra sobre a culpabilidade.

O parágrafo onde se refere ao drama revelou, em primeira mão, matéria que não constava em qualquer dos dois prólogos que Camilo havia escrito:

O teatro de Vila Real foi construído adrede para ser lá representado o Agostinho de Ceuta. O livro foi pois a estrela núncia de duas auroras formosíssimas; prometeu um nome ilustre ao mundo das letras, e celebrou n’um monumento o primeiro passo da civilização de um povo. Foi mandado fazer aquele teatro por um tio do autor, a quem este dedicou o seu primeiro volume.

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Fonte:

Manuel Tavares Teles: "Camilo e o Teatro de Vila Real". In: Revista Tellus, nº 49. Disponível em www.cm-vilareal.pt

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