09/07/14

Amor Crioulo, de Abel Botelho

 Amor Crioulo, de Abel Botelho
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Amor Crioulo, de Abel Botelho

Amor Crioulo, novela póstuma e inacabada, com o subtítulo Vida Argentina, não 
permite prever na íntegra, nos seus dez capítulos, o desfecho e a mensagem que Abel Botelho nela pretenderia transmitir. Porém, nesta narrativa da viagem de um português, João da Silveira, após a implantação da República em Portugal, no ano de 1910, até à Argentina, encontra-se mais uma galeria de personagens e costumes criticados e um processo de os retratar e analisar que confirma nesta obra o mais característico da ficção do autor. O seu título inicial, Idílio Triste, no entanto, deixa vislumbrar o infortúnio no fim desta história. Maria Saraiva de Jesus afirma que nesta novela Abel Botelho continua a explorar mais um dos seus habituais temas de raiz naturalista, transpondo “para Buenos Aires e a pampa argentina mais um caso de hipersensualidade” (Jesus, 1995a: 723). De afirmações de Massaud Moisés sobre esta novela, compreende-se que a escrita botelhiana estaria numa fase de transição para algo de novo que a morte do escritor não permitiu que se desenvolvesse:

Em Amor Crioulo (Vida Argentina), enfrentamos um Abel Botelho noutro estágio de sua carreira artística. O romance procura fixar a trajetória de um fugitivo da República portuguesa, de 1910, para a Argentina. (…) Seu amor idílico, puro, com uma argentina, conduz a narrativa, interrompida em altura que não permite cogitar seguramente de seu desfecho.

Já esse toque primitivo, adolescente, as freqüentes digressões espiritualizantes, já o desligar-se dos determinismos, cria um romance mais leve, linear, menos ambicioso, menos tendencioso, mais atento a situações psicológicas normais, naturais, vividas por pessoas de todos os dias, destituídas de qualquer desvio moral ou físico.

É francamente literatura de humildes.

Concluindo essas considerações preliminares, já se pode ir assentando o feitio fundamental da obra de Abel Botelho, que corre por duas linhas até certo ponto paralelas e mais adiante divergentes. Aceite ortodoxamente o ideário naturalista, o escritor nele permanece até a altura em que também vai sentindo o afrouxamento das razões, pelo menos das razões histórico-culturais, que deram origem ao rigorismo estético das primeiras obras. Daí por diante, como a invadir setores vedados ao artista preso na angústia do cientificismo, o romancista alarga sua visão do mundo e das coisas, admitindo a presença de um punhado de imponderáveis no plano da ação humana.

Nessa altura, se já não abandonou totalmente o programa naturalista, ao menos atenuou seu rigor e equilibrou ciência com mistério, numa simbiose nem sempre perfeita, mas que reduziu de muito a deformação do mundo operada pela concepção materialista e científica do Universo e do Homem. (Moisés, 1962: 17)

Tendo publicado esta obra póstuma, João Grave deixa uma nota final neste livro relativa à edição que fez, onde se lê que se referiu a ela como “o romance Amor Crioulo” (AC, p. 976), apesar de Abel Botelho ter escrito no seu livro que aquela narrativa estaria a ser concebida como novela.

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Fonte:
Anabela Barros Correia: “O espelho deformante: Imagens do grotesco em Fatal Dilema, de Abel Botelho”. (Mestrado em Estudos Românicos - Área de Especialização em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. Universidade de Lisboa - Faculdade de Letras - Departamento de Literaturas Românicas). Lisboa, 2008.

Notas
A imagem inserida no texto não se inclui na referida obra. As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra. O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho. Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da obra em sua totalidade. Disponível em: repositorio.ul.pt

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