27/06/14

Contos para a Infância, de Guerra Junqueiro

 Contos para a Infância, de Guerra Junqueiro - pdf para crianças
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Guerra Junqueiro e o Momento vivido (O Homem e o Poeta)

Em meados do século XIX, Portugal encontra-se política, social e economicamente num estado caótico.

Para o delinear desta situação em muito contribuíram os políticos fraudulentos e corruptos, mais absorvidos por mesquinhos interesses pessoais do que pelo efectivo desenvolvimento do país. Deste panorama resulta o predomínio da mentalidade rural sobre a urbana e o subdesenvolvimento da indústria moderna, estando a concorrência estrangeira a derrubar a débil indústria portuguesa. Nos campos, a situação é de grande penúria, motivando um enorme fluxo de emigração, sobretudo para terras brasileiras, em busca de melhores condições de vida.

É neste momento histórico que na pequena vila transmontana de Freixo de Espada-à-Cinta nasce Abílio Manuel Guerra Junqueiro, poeta que pela força e engenho da sua verve havia de marcar não só o século XIX, mas toda a nossa história literária.

Abílio Manuel Guerra Junqueiro foi o primeiro e único filho de seus pais, José António Junqueiro e Ana Maria Guerra, que faleceria três anos após o nascimento de seu filho, facto que o marcaria indelevelmente no respeitante à sua vida e obra.

O pequeno Abílio fez os seus primeiros estudos, em Freixo de Espada-à-Cinta, junto de seu pai e sua madrasta e madrinha, Francisca Marcelina. O facto de pertencer a uma família de agricultores abastados e pequenos comerciantes que viviam com algum desafogo permite-lhe continuar os seus estudos, seguindo para o Colégio Instituto Portuense. No dizer de Manuela Azevedo, “Não vão, porém, ficar-lhe na memória das palavras, muitas imagens do tempo do colégio”

Pretendia seu pai, como bom transmontano da época, que o seu primogénito fosse padre, como então era uso em todas as famílias de bem; assim, depois dos Estudos Preparatórios concluídos no Porto, vai instalar-se em Coimbra, onde se matricula em Teologia. Dois anos frequenta este curso (1866-68), acabando por abandoná-lo. No entanto, se a Teologia não parece prendê-lo, outros valores espirituais precocemente o animam: versejar.

Em 1862, Guerra Junqueiro começa a manifestar algum interesse, embora confuso, pelos acontecimentos políticos nacionais e internacionais da época.

A nível internacional, uma onda de reivindicações contra a injustiça social percorre o mundo do trabalho, reunindo-se em França, país tradicionalmente na vanguarda da defesa dos direitos humanos, a Iª Internacional dos trabalhadores.

Em Portugal, as Artes e Letras sentem como nunca a falta de apoio governamental, o que agrava as difíceis condições de vida dos Artistas. Os escritores precisam da protecção do Estado e este oferece importantes cargos no Governo em troca do “controlo da pena”, daqui surgindo a chamada “literatura oficial”.

É nesta época que surge em Coimbra um grupo de intelectuais, liderado ideologicamente por Antero de Quental e José Fontana e do qual fizeram parte alguns dos maiores escritores da história da Literatura portuguesa, tais como: Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Teófilo Braga, entre outros.

Esta Geração de Setenta, como viria a ser conhecida, é constituída por um conjunto de jovens que, influenciados pela cultura francesa, irão opor-se a um governo monárquico, cada vez mais contestado no final do século, insurgindo-se a nível literário contra uma prática ultra-romântica ligada a António Feliciano de Castilho e seus pares.

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Fonte:
Carla Alexandra Ferreira do Espírito Santo Guerreiro
: “A Mundividência Infantil na Obra de Guerra Junqueiro”. (Tese de Mestrado em Ensino da Língua e da Literatura Portuguesas). Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 2002.
Notas
A imagem inserida no texto não se inclui na referida tese. As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra. O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho. Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade. Disponível em: bibliotecadigital.ipb.pt

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