26/04/14

História da Cidade de São Paulo, de Visconde de Taunay

 História da Cidade de São Paulo, de Visconde de Taunay
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História da Cidade de São Paulo, de Visconde de Taunay

Dentre os temas por ele pesquisados não ficou esquecida a História antiga da abadia de São Paulo em que narrou a concessão de terras para a construção do Mosteiro de São Bento. Em suas palavras: o segundo lugar “mais ilustre da vila, o lugar onde se assentara a taba do velho Tibiriçá, o glorioso índio que realizara a aproximação euro-americana e permitira o surto da civilização no planalto”. Para construir essa imagem gloriosa de Tibiriçá, um dos fundamentos da formação dos paulistas, Taunay ressaltou a relevância emblemática de alguns locais que compuseram o cenário da história da cidade: Em 1598, erguia o austero frei Mauro Teixeira, monge vicentino, a ermida de Nossa Senhora de Monte Serrat e uma cela contígua, onde deveria passar alguns anos de vida cenobítica. A essa capela concedeu o capitão-mor Jorge Corrêa duas sesmarias. Só em 1600, porém, é que se realizou a fundação regular do Mosteiro, e por frei Mateus da Ascensão, especialmente enviado a São Paulo com outros confrades pelo providencial do Brasil quando da visita do governador geral d. Francisco de Souza.

Passaram-lhe então os oficiais da Câmara uma carta de chãos a 15 de abril ‘por lhes constar que se tratava de serviço de Deus e do seu servo bem- aventurado são Bento, motivo pelo qual lhes davam e haviam por dados os ditos chãos para convento, mosteiro ou casa do dito santo, isentos de todo tributo e pensão até o fim do mundo’.

A relevância conferida por Taunay para o papel dos beneditinos no Brasil foi narrada na referida obra e destacada por ele em outros textos e também no cotidiano de sua correspondência. A relação pessoal que ele manteve com os beneditinos foi tão importante para sua iniciação historiográfica e formação intelectual que, no ano em que se comemorou o centenário de seu nascimento, em 1976, vários autores se referiram a ele como um trabalhador beneditino ao contarem sua atuação nos empreendimentos educacionais do Mosteiro de São Bento, bem como ao tratarem de sua dedicação aos estudos históricos. O próprio Taunay conferia importância a essa denominação, pois para terminar o prefácio de sua História antiga da abadia de São Paulo afirmou que a nova geração de homens dedicados a continuar a tarefa de d. Miguel Kruse11 no Mosteiro de São Bento deveria se inspirar no exemplo daqueles que “impuseram ao vocabulário da intelectualidade de todas as línguas cultas do Universo o substantivo e o adjetivo ‘beneditino’”.

Vários artigos destinados a homenagear Afonso de Taunay circularam pela imprensa em 1976, ano em que se comemorou o centenário de nascimento do autor. O jornalista Hélio Damante (1919-2002) publicou no jornal O Estado de S. Paulo de 11 de julho de 1976 uma síntese, bastante elogiosa, da trajetória de Taunay dividida em dois subtítulos: O humanista e O historiador. Para introduzir este segundo subtítulo Damante narrou:

Será à sombra do velho Mosteiro de S. Bento — Taunay nasceu, sabe-se hoje, no dia em que morreu o pai dos monges (11 de julho), conforme o novo calendário universal dos santos — que o professor da Politécnica será cada vez menos engenheiro e cada vez mais historiador. Professor de História Universal no Colégio de S. Bento e depois na Faculdade de Filosofia de S. Bento, a primeira do país, fundada por d. Miguel Kruse, que ao mesmo tempo faria aluir as paredes de taipa do velho mosteiro e erguer o novo, Taunay desenvolve sua verdadeira vocação. Na opulenta biblioteca dos monges, onde não faltam códices e documentos, identifica São Paulo dos primeiros tempos e descobre os segredos de Amador Bueno. A própria abadia merece-lhe um estudo quase sentimental: História antiga da abadia de São Paulo (1598-1772).



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Fonte:
Karina Anhezini (Professora do Depto. de História da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná – Unicentro): História da Cidade de São Paulo, de Visconde de Taunay Um metódico à brasileira: a escrita da história de Afonso de Taunay. Revista de história 160 (1º semestre de 2009), 221-260. Disponível em: www.revistas.usp.br

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