26/04/14

História da Capitania de São Vicente, de Pedro Taques de Almeida Pais Leme

 História da Capitania de São Vicente, de Pedro Taques de Almeida Pais Leme
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Pedro Taques de Almeida Paes Leme (1714-1777) - Biografia

Pedro Taques de Almeida Paes, nascido em São Paulo, em fins de junho de 1714, é o segundo filho do sertanista Bartolomeu Paes de Abreu e de Leonor de Siqueira Paes, descendentes das famílias mais antigas e abastadas de São Paulo. Sobrinho-neto do bandeirante Fernão Paes Leme passou a assinar o sobrenome “Leme” de sua avó paterna somente em 1767. Antes dessa época, conforme Porchat (1993, p. 88), “seu nome encontrado em alguns documentos como Pedro Taques de Almeida Lara”. Estudou com os jesuítas no Colégio de São Paulo, onde se graduou mestre de armas. Possuía grandes conhecimentos de latim e francês, o que configurava a sua elevada cultura, superior para a época e ao meio em que viveu. Em 1737, aos 23 anos de idade, obteve a patente de sargento-mor do Regimento de Auxiliares das Minas de Paranapanema e Apiaí. Após a morte de seu pai, em 1738, e, mais tarde, de seu irmão mais velho, a família, composta pela mãe e mais seis irmãos, passou por grandes dificuldades financeiras, sendo todos os seus bens confiscados para pagamento de dívidas.

Em 1745 casou-se com Maria Eufrásia de Castro Lomba, com quem teve cinco filhos, e mudou-se, em 1748, para Goiás, onde seu sogro, o capitão Gregório de Castro Esteves, era oficial do regimento de cavalaria. Dois anos depois foi nomeado, pelo Conde dos Arcos, escrivão fiscal da Intendência Comissária e da Guarda Moria do Distrito de Pilar, com jurisdição sobre os arraiais de Crixás, Guarinos e Papuan (hoje a cidade de Pilar de Goiás). Serviu também nesses lugares como provedor de defuntos e ausentes até 1754, quando decidiu voltar para São Paulo, onde encontrou sua família com as mesmas dificuldades financeiras.  

Pedro Taques dedicou toda a sua vida aos estudos históricos, sendo de 1742 seu primeiro trabalho genealógico. Como grande conhecedor da história e genealogia paulista, foi solicitado por D. João de Faro, prelado da Basílica Patriarcal de Lisboa, para defender os direitos que o conde de Vimieiro, seu sobrinho, descendente legítimo de Martim Afonso de Sousa, tinha à capitania de São Vicente. Assim, partiu para Portugal em meados de 1755, onde, além de frequentar os Arquivos de Lisboa, entre eles a Torre do Tombo e o Arquivo Ultramarino (TAUNAY, 1923, p. 251), em busca de documentos sobre a posse da capitania, tentaria publicar a parte já pronta de sua Nobiliarquia Paulistana e continuar sua pesquisa para a sua conclusão. No entanto, devido ao terremoto de 1º de novembro de 1755, seguido do incêndio e do maremoto que se alastraram pela cidade de Lisboa, Pedro Taques teve seus pertences, inclusive os originais da Nobiliarquia, totalmente destruídos. Permaneceu ainda oito meses em Lisboa, hospedado por sua parenta dona Isabel Pires Monteiro, casada com João Fernandes de Oliveira. Aos poucos retomou seu trabalho e, antes de retornar ao Brasil, aproveitou a influência de João Fernandes junto às autoridades reais, para requerer o cargo de tesoureiro-mor da Bula da Santa Cruzada nas capitanias de São Paulo, Goiás e Mato Grosso, cujo objetivo era “superintender a venda, e arrecada ão do produto da cobran a das bulas, papel estampilhado, cuja aquisição permitia aos fiéis certos privilégios quanto à dispensa de alguns jejuns obrigatórios”, conforme Taunay (1954b, p. 25). Para conquistar o cargo, teve que se submeter à hipoteca de todos os seus bens e contar com a confiança de dois fiadores. Em 20 de agosto de 1757, já no Brasil, sua esposa falece e, quatro anos mais tarde, Pedro Taques casa-se pela segunda vez, com Ana Felizarda Xavier da Silva, filha do escrivão da Real Fazenda do Rio de Janeiro, André Xavier Francisco de Siqueira. Em 1763, foi investido do cargo de guarda-mor das Minas da Comarca de São Paulo, cargo que exerceu juntamente com o de tesoureiro-mor.

Ao lado de Frei Gaspar da Madre de Deus, seu primo e amigo, Pedro Taques é considerado a pessoa mais destacada e culta de São Paulo na época, segundo assevera Taunay (1925, p. 155), sendo inclusive consultado muitas vezes pelo governador Luís Antonio de Sousa Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, sobre a fundação do presídio de Iguatemi e as questões de limites entre as capitanias de São Paulo e Minas.

Em 1765, como procurador da Câmara da cidade de São Paulo e das vilas de Pindamonhangaba e Cananéia, tratou de negócios referentes a toda a capitania e deu impulso às suas pesquisas para a reconstrução e continuidade de sua Nobiliarquia. Casa-se pela terceira vez, em 1769, com Inácia Maria da Anunciação e Silva. Em 1770, o Morgado de Mateus confirma o genealogista no cargo de guarda-mor das Minas e o encarrega de escrever a Informação sobre as Minas de São Paulo (1772) e a Informação sobre o Estado das Aldeias dos Índios da Capitania de São Paulo (reputa-se perdida), obras que, ao lado de História da Capitania de São Vicente, concluída em 1772, foram compostas com a ajuda de amanuenses, para quem seus textos eram ditados1, devido ao avanço da paralisia que o impedia de sentar-se e de escrever. Por esse tempo perdeu, com pequeno intervalo, os dois únicos filhos homens que possuía: o frei carmelita Joaquim Antônio Taques, aos 25 anos, que servia de copista ao historiador, e Balduíno Abegaro Taques de Morais, aos 23.

Durante sua permanência em Lisboa, em 1774, Taques foi consultado várias vezes pelo marquês Pombal, devido aos seus estudos sobre a história de São Paulo. Quando parte de Portugal, em agosto de 1776, deixa os originais da Nobiliarquia Paulistana aos cuidados do desembargador e guarda-mor da Torre do Tombo, João Pereira Ramos, sendo desse manuscrito que se valeu Diogo de Toledo Lara e Ordonhes para a cópia “que viria servir para a edição do livro quase um século depois, editado pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro”, conforme Rodrigues (1979, p. 132).  

Devido à morte de Pedro Taques, em 3 de março de 1777, seus manuscritos dispersaram-se e muitas das suas obras foram perdidas. Segundo Taunay (1954, p. 35), graças ao abandono em que caíram os seus manuscritos, deles se aproveitaram Baltazar da Silva Lisboa, para compor a parte inédita dos seus Anais, conservada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, e Manuel Cardoso de Abreu.

A recuperação da obra de Pedro Taques deve-se especialmente a Frei Gaspar da Madre de Deus, que a ela chamou a atenção do seu público, a Diogo de Toledo Lara e Ordonhes, que, além de copiar a Nobiliarquia, anotou-a e completou-a, e ao historiador Afonso d’Escragnolle Taunay, que publicou um estudo apurado de sua vida e obra em Pedro Taques e seu tempo: estudo de uma personalidade e de uma época (1922), e reeditou sua obra.



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Fonte:
Renata Ferreira Costa: “Um Caso de Apropriação de Fontes Textuais: Memória Histórica da Capitania de São Paulo, de Manuel Cardoso de Abreu, 1796”. (Tese apresentada ao Departamento de Letras Clássicas Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, para a obtenção do título de Doutora em Letras. Área de Concentração: Filologia e Língua Portuguesa. Orientador: Prof. Dr. Sílvio de Almeida Toledo Neto). São Paulo, 2012. Disponível em: www.teses.usp.br

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