11/04/14

Cromos (Poemas), de B. Lopes

 Cromos - Bernardino  Lopes
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A obra de Bernardino Lopes

B. Lopes chegou ao Rio de Janeiro em 1876 e em 1881, aos 22 anos, publicou seu primeiro livro de poemas, Cromos. Os poemas desse livro são sonetilhos de caráter descritivo, que combinam, de forma hábil e original, realismo na descrição de cenas rurais com muito lirismo. Essa combinação confere beleza e singeleza às situações do cotidiano. Como exemplo, reproduzimos um cromo abaixo.

Cromo X

Conversam ambos na sala
Juntos, sentados, em paz
A moça, a rir quando fala
Diz querer bem ao rapaz.

Replica o noivo a mirá-la:
Dê-me um beijo, se és capaz.
Grave, de luto e sem gala,
Olha-os a mãe por detrás

E treme a luz, que não presta
A sala, pobre e modesta,
Quase que lôbrega está.

Boca aberta, mão no queixo,
Em caprichoso desleixo,
Dorme Nhonhô no sofá. (LOPES, 1945, p. 40)

 Além da forma breve do soneto, combinada à redondilha maior, a habilidade na exploração da sonoridade dos vocábulos, com repetições fonéticas que geram sugestões sonoras, produzem um intenso lirismo.

Na primeira estrofe os vocábulos “conversam”, “ambos”, “juntos” e “sentados” encontram-se no mesmo campo semântico de junção, união e todos apresentam vogais nasais, o que acentua essa sugestão de união. No primeiro terceto, as palavras “treme”, “presta”, “pobre” e “lôbrega” apresentam encontros consonantais em que o segundo elemento é uma vibrante, sugerindo o tremer da luz. Na última estrofe, a sequência de fricativas em “queixo”, “caprichoso” e “desleixo” sugere o sono do personagem.

Esse tipo de composição, o sonetilho, tornou-se conhecido nacionalmente e abriu a B. Lopes as portas do nosso meio literário. Depois dos Cromos, publicou mais nove livros: Pizzicatos (1886); Dona Carmen, com ilustrações de Gonzaga Duque (1894); Brasões (1895); Sinhá-Flor (1899); Val de Lírios (1900); Helenos (1901); Patrício (1904); Lírio Consolador (1904) e Plumário (1905). Em 1945 Andrade Muricy republicou, pela editora Zélio Valverde, todos os volumes (com exceção de Lírio Consolador) sob o título de Obras Completas de B. Lopes.

Abaixo, reproduzimos testemunhos e análises do sucesso dessas obras: Luiz Edmundo (2003, p. 432), referindo-se aos primeiros anos do século XX, assim escreveu: Olavo Bilac, Luís Murat, Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, B. Lopes e Guimarães Passos são os poetas mais lidos e festejados. Os livros que imprimem, porém, não alcançam grandes tiragens: mil, dois mil, no máximo dois mil e quinhentos ou três mil exemplares.

Constate-se também, nesse relato, a dificuldade do mercado editorial da época, mesmo entre os autores mais famosos, o que faz de Brasões, como veremos mais adiante, um grande êxito.

Lacerda (1959, p. 46) informa sobre a influência de B. Lopes:

Houve tempo em que a influência de B. Lopes nas nossas esferas beletristas foi tão acentuada, que proliferou no Rio – afirma um de seus admiradores – um verdadeiro enxame de belopeanos... E isso não foi só na Capital da República, mas de norte a sul do país se projetava o seu nome [...] No Rio Grande do Sul, saíram publicadas poesias de B. Lopes até em almanaques.

Nóbrega (1949, p. 34) também atesta o sucesso dos Cromos:  Cromos conquistou de assalto o gosto do público. Não havia sarau familiar ou festa colegial em que, ao som do piano, deixasse o programa de incluir alguns sonetilhos famosos, à luz do gás ou dos lampiões de querosene, que, ainda então, os fios elétricos não haviam chegado às zonas menos centrais da cidade.

E continuando, agora sobre o livro Brasões:

Essa popularidade explica o milagre de terem sido vendidos em quinze dias os dois mil exemplares da primeira tiragem de Brasões, caso excepcional, poucas vezes repetido até hoje, entre nós. A admiração pelo poeta alastrou-se pelo país inteiro, em verdadeira mania belopeana. Surgiram os imitadores, confessos ou dissimulados: Jonas da Silva, Galdino de Castro, Ulisses Sarmento, Luís Pistarini, Artur Lobo, Orlando Teixeira e outros menos conhecidos, como Luís Rosa, Armando Lopes, Luís Nóbrega e Alfredo Pimentel. (NÓBREGA, 1949, p. 34)

A respeito das obras publicadas por B. Lopes, temos esta análise de Armando Gens (2006, p. 179):

B. Lopes estreou no campo literário brasileiro com o livro Cromos, cuja primeira edição vem a lume em 1881. Tal foi o sucesso que aparece uma segunda edição corrigida em 1896 sob a chancela da Fauchon e impressa na Tipografia Leuzinger. Já o livro Brasões,  publicado em 1895, pela mesma editora de seu primeiro livro, teve uma edição de 2000 exemplares que se esgotou em 15 dias. Tais exemplos deixam em evidência que as obras de B. Lopes constavam dos catálogos de importantes editoras como a Fauchon e a Laemmert pela qual, em 1900, saiu Val de Lírios. Considerando-se as barreiras que o autor nacional tinha de atravessar para ter um livro nas vitrines das livrarias da cidade do Rio de Janeiro, há que se reconhecer a posição privilegiada de B. Lopes no campo literário brasileiro e no sistema de produção para o grande público.

 Franchetti (2007, p. 193) cita o seguinte exemplo: Ao longo dos volumes de O Pão da Padaria Espiritual, publicado no Ceará em 1892 e em 1895-1896, encontram-se regularmente sonetilhos, imitados, no espírito e no estilo, dos Cromos de B. Lopes. Na primeira série, na coluna “Malacachetas”, assinada por Moacyr Jurema (pseudônimo de Antônio Sales); na segunda, na coluna “Chromos”, assinada por X. de Castro.

Foi também colaborador de diversos periódicos da época; alguns de vida curta como Pierrot, que circulou, semanalmente, entre seis de setembro de 1890 e primeiro de novembro do mesmo ano; outros mais influentes como O País e Gazeta de Notícias.



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Fonte:
Julio Cesar Coppola: “Viva la gracia! A celebração do erotismo feminino nos versos de B. Lopes”. (Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro como quesito para a obtenção do Título de Mestre em Letras Vernáculas (Literatura Brasileira). Orientador: Prof. Doutor Sérgio Fuzeira Martagão Gesteira). Rio de Janeiro, 2012. Disponível em: www.letras.ufrj.br.

Um comentário:

  1. Primeiro cromo que minha mãe me ensinou: deste autor na alcova sombria e quente,pobre demais se não erro,repousa um moço doente,deitado em cama de ferro / vem uma loira figura com uma colher da tintura,que ele recusa num aí! Mas o solicito anjinha,diz-lhe com riso é carinho: - Bebe que é doce papai!

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