05/04/14

Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente

 Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente
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Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente

No Auto da Barca do Inferno, as personagens desfilam, primeiro diante da barca dirigida pelo arrais infernal, vão em seguida para a barca do Céu buscando a salvação, mas não a encontrando, retornam à primeira barca. Todas elas portam objetos que representam os diversos segmentos sociais aos quais pertenceram ou profissões que exerceram em vida, todas elas ligadas ao universo citadino. Nesta peça, quase todos os indivíduos são condenados ao “fogo eterno”, excetuando o Parvo e os Quatro Cavaleiros da Ordem de Cristo que por isso serão estudados juntamente com o grupo das personagens do Auto da Barca da Glória, na qual todas são salvas. Assim, interessa-nos avaliar as razões pelas quais o autor coloca na mesma embarcação, sem nenhuma reserva, figuras representando as diversas profissões e os diferentes segmentos sociais. Vale ressaltar uma terceira personagem, o Judeu, que a ela dedicaremos um capítulo, uma vez que não encontra lugar definido em nenhuma das três barcas.

A segunda embarcação, a do Purgatório, nos apresenta personagens ligadas ao tecido camponês. Nela todas as almas, igualmente à da barca primeira, portam objetos que simbolizam profissões e grupos sociais.Mas, ao contrário da barca do Inferno, as personagens vagam pela ribeira purificando-se para depois embarcarem para o Paraíso. No entanto, duas personagens têm lugar definido: um Menino que por sua tenra idade e conseqüentemente, por ser inocente, embarca no batel glorioso. E um Taful que ganha o Inferno, sem que lhe dêem a possibilidade de salvação. A primeira figura será analisada juntamente com os da Barca da Glória e a segunda comporá o grupo dos condenados às penas infernais.

A terceira e última peça a ser analisada será o Auto da Barca da Glória, ela traz alguns traços peculiares que a diferem das duas primeiras. As figuras que aqui desfilam representam as camadas dominantes da sociedade portuguesa quinhentista como o Conde, o Duque, o Rei, o Imperador, o Bispo, o Arcebispo, o Cardeal e o Papa. Estas personagens são conduzidas pela Morte perante o Anjo e o Diabo, arrais das barcas do Céu e do Inferno, respectivamente. Porém, ao contrário das outras duas e de qualquer expectativa de leitura, todas as almas se salvam, apesar dos pecados cometidos por elas durante sua existência na Terra e quem as salva não é nada menos que o próprio Cristo. Demonstrando, assim, o compromisso do artista, Gil Vicente, com os mecenas que o patrocinaram, os reis portugueses, D. Manuel e D. João III.

Por isso, nossa análise consistirá na constituição de quatro grandes grupos. O primeiro deles, o dos condenados, será composto por todas as personagens que sofrerão como castigo as penas infernais, por isso, englobará as seguintes figuras do Auto da Barca do Inferno: o Fidalgo, o Onzeneiro, a Alcoviteira, o Sapateiro, o Frade, o Enforcado, o Corregedor e o Procurador. A ordem de desfile destas personagens foi alterada, não seguindo a que se apresenta no texto, devido às necessidades do estudo em questão.

Comporá também este quadro o Taful, que, mesmo não pertencendo à Barca do Inferno, pois aparece na do Purgatório, mas devido sua condição de passageiro do batel que conduz à terra dos danados, comparecerá junto a estes.

No segundo grupo, comparecerão todas as personagens do Auto da Barca do Purgatório – excetuando o Taful e o Menino. Haja vista que foi concedido a estas a possibilidade de salvação; purgando seus pecados no Purgatório para só depois conquistar a glória eterna. O terceiro grupo será daqueles que se salvam. São todas as personagens do Auto da Barca da Glória, o Parvo e os Quatro Cavaleiros da Ordem de Cristo da Barca do Inferno e o Menino do Auto da Barca do Purgatório.

E finalmente, o que seria o quarto grupo é na realidade apenas uma personagem, o Judeu, que, dada a situação sócio-cultural, não encontra um lugar no interior de nenhuma das três embarcações.


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Fonte:
Silvana Assis Freitas Pitillo: “A personagem vicentina: uma representação do Portugal dos Quinhentos”. (Dissertação apresentada ao curso de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em História.  Linha de pesquisa: História e Cultura. Orientadora: Professora Drª Rosângela Patriota Ramos). Uberlândia, 2002. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/

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