03/03/14

A Mandinga, de João Simões Lopes Neto

 A Mandinga, de João Simões Lopes Neto
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A obra de João Simões Lopes Neto

O objetivo principal da tese de doutoramento intitulada Histórias do Bruxo Velho: a recepção da obra de João Simões Lopes Neto (PUCRS, jan. 2001) consistiu em justificar a atualidade da obra ficcional de Simões Lopes e verificar os motivos pelos quais ela se mantinha viva, ou seja, em constante reedição e diálogo com o público leitor. Esse questionamento surgiu na medida em que um retrospecto na carreira literária do escritor permitiu registrar o silêncio inicial por parte dos leitores acerca de sua produção e circulação. Publicados, respectivamente, em 1910, 1912 e 1913, os livros Cancioneiro guasca, Contos gauchescos e Lendas do Sul não alcançaram uma recepção favorável, já que, além do depoimento pioneiro de Antônio de Mariz, em 1913, sobre os Contos gauchescos, até 19223 não existem leituras documentando a recepção da obra. Com a morte do escritor, em 1916, os registros necrológicos também não fizeram mais do que uma leitura superficial de sua obra, dando ênfase apenas ao Simões Lopes jornalista, folclorista, patriota e conhecedor da sua terra e da sua gente.

Outro motivo utilizado para comprovar a recepção desfavorável, principalmente por parte das editoras, foi a reedição dos Contos gauchescos e Lendas do Sul em 1926, isto é, treze anos após a primeira publicação pela Editora Echenique, de Pelotas. A terceira edição surgiu somente em 1949, vinte e três depois da impressão de 1926. Mesmo assim, não se pode negar que, nos anos vinte, trinta e quarenta, a crítica local tenha passado a discutir a obra do escritor, pois, em 1924, o nome de Simões Lopes foi incluído na primeira História literária do Rio Grande do Sul, escrita pelo poeta e historiador da literatura João Pinto da Silva.

Em aproximadamente quarenta anos, entre 1913 e 1949, localizaram-se apenas quatorze ensaios enfocando a obra do escritor pelotense, perfazendo a média de um texto crítico a cada três anos. As demais referências encontradas são extremamente superficiais e fragmentadas, e não chegam a compor uma crítica no sentido restrito da palavra. Além disso, assim como as edições da Echenique, a publicação de 1926 não teve nenhuma reedição nos vinte anos seguintes. Apenas a de 1949, composta com primor gráfico e crítico, teve diversas reimpressões subseqüentes até os anos setenta, quando o acervo da Editora Globo, detentora dos direitos autorais de Simões Lopes, foi transferido para uma empresa do Rio de Janeiro.

Tomando tais dados iniciais e comparando-os com a recepção crítico-editorial posterior aos anos quarenta, pôde-se perceber como o discurso crítico evoluiu quantitativamente e aumentou, de modo significativo, o interesse editorial pela obra de Simões Lopes Neto. Além das várias reedições pela Globo (em 1950, 1951, 1953, 1957, 1961, 1965 e 1973), Contos gauchescos  e Lendas do Sul também foram traduzidos para o italiano em 1956 e impressos pela editora carioca Agir, em 1957. Nos anos oitenta, surgem, pelas editoras Globo (1983) e Presença (1988), novas edições dessas duas obras. Na década de noventa, foi possível localizar doze edições completas ou parciais das obras de Simões Lopes, feitas por diferentes editoras do Rio Grande do Sul e do centro do país.

De posse desses dados editoriais e críticos e tendo como base a teoria da estética da recepção, delineou-se o objetivo de justificar a atualidade da obra do contista pelotense, verificando os motivos pelos quais ela se mantinha viva. Para tal, foi necessário, inicialmente, recuperar a fortuna crítica do escritor, desde 1913 até 1998. Depois, de posse desse material, verificaram-se os sentidos referentes à obra que mais se propagaram ao longo do tempo e que poderiam ser utilizados para justificar a atualidade dos textos literários. Da mesma forma, foi analisada a variação compreensiva da obra ao longo do tempo e localizados os principais momentos de ruptura.


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Fonte:
João Claudio Arendt: “As fontes de pesquisa para estudo da recepção da obra de Simões Lopes Neto”. MÉTIS: história & cultura – ARENDT, João C. – p. 81-92.

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