18/11/13

Ao Correr da Pena (Crônicas Completas), de José de Alencar

 Jose de Alencar - Ao Correr da Pena
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José de Alencar: o cronista do Correio Mercantil

João Roberto Faria aponta Francisco Otaviano como o  pioneiro do folhetim no Brasil, com sua seção no Jornal do Comércio, a partir de  1852. É justamente pelas mãos de Otaviano que José de Alencar inicia sua  caminhada, fazendo-o através do jornal e, especialmente, pelo rodapé das páginas  do Correio Mercantil, com a “benção” de Otaviano, a quem Alencar considerava  seu mentor intelectual.

E o caminho do jornal, para um escritor iniciante como Alencar, era  incontornável. Enquanto que, na França, o surgimento e ascensão da indústria  midiática pelo jornal foi o caminho para a consagração de diversos escritores já  maduros do ponto de vista intelectual, no Brasil, o jornal se mostrou o caminho de  entrada para jovens talentos.

Destaque-se, em tal sentido, a criação do grupo que editou na França a  revista literária Nitheroy, em 1836. Apesar de terem sido publicadas apenas duas  edições da revista, tal empresa auxiliou no surgimento e evolução de um grupo  que, nos primeiros anos da era midiática no Brasil, ditaria o rumo das  manifestações artísticas e, especialmente, da literatura no país; grupo este  capitaneado por Gonçalves de Magalhães, renomado poeta da época e preferido  do Imperador D. Pedro II. O mesmo Gonçalves de Magalhães que traria à luz em  1856 aquele que se pretendia o poema épico de formação da identidade brasileira,  A confederação dos Tamoios, que seria duramente atacado nas páginas do Diário  do Rio de Janeiro por meio de oito cartas inicialmente publicadas por um certo que posteriormente se revelaria como o próprio José de Alencar, em uma  acirrada polêmica, bem ao gosto do escritor cearense.

 Nesse sentido, como afirmado por Weslei Roberto Cândido (2009, p. 125)

O jornal, no século XIX brasileiro, exerceu uma importante  função na formação e consolidação das letras no país. Órgão  divulgador da literatura francesa que chegava nos paquetes e  logo era traduzida nos rodapés dos jornais, a imprensa  também funcionou como divulgadora dos novos escritores  nacionais, como o próprio Alencar e ainda serviu de palco  para polêmicas e debates literários que talvez não tenham se  repetido mais na história da literatura brasileira.

Mas antes da polêmica travada por Alencar acerca do poema de  Magalhães, veio o então jovem aspirante a escritor, com apenas 25 anos de idade,  a ocupar as páginas do Correio Mercantil¸ a partir de 3 de setembro de 1854, com  a seção intitulada Ao correr da pena, tendo escrito neste jornal a primeira série de  folhetins – trinta e sete ao todo –, a qual foi encerrada, em sua primeira fase, em 8  de julho de 1855. Nessa ocasião, Alencar pediu demissão do cargo que ocupava  no jornal, por não concordar com modificações feitas em sua última crônica, na  qual atacara a febre de especulação financeira que grassava no Rio de Janeiro,  bem como aos especuladores.

 E o escritor inicia sua jornada pelos rodapés dos jornais em 3 de setembro  de 1854, com a publicação da crônica cujo original é reproduzido abaixo, em uma  revisão dos fatos recentes que eram reproduzidos nas páginas dos jornais de então,  especialmente o Correio Mercantil...


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Fonte:
Douglas Ricardo Hermínio Reis: “A literatura no jornal: José de Alencar e os folhetins de Ao correr da pena (1854-1855) – Volume 1. (Dissertação apresentada como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em  Letras, junto ao Programa de Pós-Graduação em  Letras, Área de Concentração – Literaturas em  língua portuguesa, do Instituto de Biociências,  Letras e Ciências Exatas da Universidade  Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”,  Campus de São José do Rio Preto. Orientadora: Profª. Drª. Lúcia Granja). São José do Rio Preto, 2011.

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