15/02/14

Miniaturas Românticas (Contos), de Sebastião de Magalhães Lima

 Miniaturas Românticas - Sebastião de Magalhães Lima
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A República de Sebastião de Magalhães Lima

Este livro de Rita Garnel propicia-nos um olhar pelo percurso multiforme de Sebastião de Magalhães Lima, que ocupou um lugar proeminente na cultura política e histórica do seu tempo. A defesa de um ideal republicano e a propaganda antidinástica e anticlerical estão patentes na sua produção escrita e jornalística, bem como na sua ação cultural e cívica.

As principais armas de combate ideológico a que Magalhães Lima recorreu foram - como salienta Fernando Catroga no Prefácio - o livro, o jornalismo, a oratória e os contactos internacionais.

Numa escrita clara e mobilizadora, Rita Garnel, ao eleger como seu protagonista, Magalhães Lima, e ao estudar o seu pensamento, procurou apreender as ideias e os ideais, os valores e as expectativas que hegemonizaram a cultura republicana nos decênios anteriores à queda da Monarquia.

Apesar da autora sublinhar que o seu objetivo não foi traçar a biografia de Magalhães Lima, no sentido tradicional da palavra, o leitor fica a conhecer os aspectos mais marcantes da sua vida e obra. Investigando e refletindo sobre as múltiplas facetas da sua ação, Rita Garnel evidencia: (i) os anos da formação, nomeadamente em Coimbra, onde cursou Direito e contactou com diversas personalidades, já ao tempo simpatizantes do republicanismo (Alves da Veiga, Feio Terenas, Trigueiros de Martel, Gomes Leal, entre outros); (ii) a atividade jornalística (O Século, Vanguarda, A Folha do Povo, Comércio de Portugal); (iii) o labor literário (O Mistério da Estrada da Beira, folhetim publicado nas páginas de O Tribuno Popular, uma coletânea de contos intitulada Miniaturas Românticas, e o romance          A Senhora Viscondessa); (iv) a atuação como propagandista (em conferências, comícios, exposições, congressos e centenários); e (v) o papel que desenvolveu na Maçonaria mormente desde que foi eleito Grão-Mestre (cargo que desempenhou de 1907 até 1928, data da sua morte).

Foi precisamente a pluralidade de desempenhos em prol dos direitos humanos, de um ideal de cidadania ativa e da universalidade dos valores da liberdade, da justiça, da solidariedade e da tolerância, que lhe mereceram o epíteto de sacerdote laico: “ao longo de mais de cinquenta anos de vida pública dedicou-se sem descanso à propaganda dos seus ideais” (p. 35), pois derramar as luzes e educar o povo eram, como assinala a autora, as preocupações dos novos apóstolos da re- pública, entre os quais se destaca Magalhães Lima.

Este livro que reproduz, com pequenas alterações, a dissertação de Mestrado defendida em 1998 na Faculdade de Letras de Coimbra, surge-nos cheio de interesse, como se, mudando-se os tempos e as perspectivas, se mantivessem por resolver os mesmos problemas. E quais foram as questões prementes para Magalhães Lima que Rita Garnel revisita? São temáticas (algumas das quais permanecem atuais e em debate) como o feminismo, a maçonaria feminina, o sufrágio, a pedagogia cívica, a laicidade, a moral cívica, o cremacionismo, o descentralismo, o municipalismo e a edificação pacífica de uma Europa democrática.

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Fonte:
Maria Rita Lino Garnel (2004): Revista Lusófona de Educação, 15, 2010, disponível em: www.scielo.oces.mctes.pt

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