20/11/13

O Garimpeiro, de Bernardo Guimarães

 Bernardo Guimaraes - O Garimpeiro - Iba Mendes
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Folhetim da Escravidão: o Caso de Bernardo Guimarães

Já em O garimpeiro, de 1872, Bernardo Guimarães tocou no problema do  cativeiro africano entre nós, embora buscando relativizar as dicotomias senhor escravo, explorador x explorado, ao apresentar relações de afetividade e acomodações  individuais não predominantes no regime servil brasileiro. Nesse âmbito, reconhecendo  uma rara convivência pautada pela lealdade e proteção mútua entre cativos e os seus  donos, no romance O garimpeiro, Hélio Lopes fez esta anotação:

Cumpre assinalar ao lado de Simão, o fiel amigo de Elias, a escrava  Joana, fiel amiga de Lúcia. São confidentes dos amantes. Joana é  alforriada aos rogos de Lúcia. O Major, em suas aperturas  econômicas, não a poderá vender. O amor da branca vem a conservar,  a seu lado, a escrava. O amor da escrava-livre a faz conservar-se ao  lado da branca-senhora. É otimista o relacionamento entre senhores e  as poucas escravas negras no sítio do Major (1991, p. 6-7).

Ao contrário do que constatamos nos romances A escrava Isaura e Rosaura, a  enjeitada, em relação a O garimpeiro, identificamos, entre proprietário e escravaria, a  representação de um relacionamento não marcado pelo conflito, e sim pela sintonia  entre ambos. Inclusive, na dedicação de Joana e Simão aos seus donos, respectivamente, a Lúcia e a Elias, vimos a possibilidade de interpretá-la como uma prova da forte  afetividade atribuída à etnia africana. Aliás, entre os negros, particularmente, os dois  mencionados, Bernardo Guimarães assinalou a nobreza de caráter, a inclinação para o  bem. Através da voz narrativa, ele reverteu o padrão de certos valores sociais então  vigentes, ao valer-se, para combater a instituição servil, de uma postura digna de nota,  revelada por cativos negros. Lembremos que, como um deus ex-machina, foi o escravo  Simão quem descobriu e doou a Elias a mina de diamantes que, pelo final da obra,  viabilizou a felicidade do protagonista de O garimpeiro junto à mocinha. 


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Fonte:
Hugo Lenes Menezes (Universidade de São Paulo - USP): “Folhetim da Escravidão: o Caso de Bernardo Guimarães”. http://www.brasa.org

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