26/05/16

Advento da Ditadura Militar no Brasil: 1891, de Visconde de Ouro Preto

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Afonso Celso: uma personalidade parlamentar

O sr. visconde de Ouro Preto é um cavalheiro amabilíssimo e, como não ignoram os que conhecem a política do Brasil, foi um dos estadistas mais influentes do Imperio. Physicamente é um homem dos seus cincoenta annos, alto, ligeiramente trigueiro, suissas e bigodes brancos. O seu trato é ao mesmo tempo affavel e nobre as suas maneiras distinctas.

 (O TEMPO, jornal de Lisboa, 15 de dezembro de 1889)

Filho de João Antônio Afonso e de D. Maria Madalena de Figueiredo, Afonso Celso de Assis Figueiredo (Ouro Preto, 21 de fevereiro de 1836 – Petrópolis, 21 de fevereiro de 1912) concluiu os estudos primários e secundários na cidade natal e matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde colou grau de bacharel, em fins de 1858. Fixou-se algum tempo na capital da província como secretário da Polícia de Minas, onde permaneceu até 1864, quando se elegeu deputado à Assembleia-Geral tendo, porém, curto exercício na Câmara. Seu curto exercício deveu-se à convocação, em 1866, para o Ministério da Marinha, no Gabinete de 3 de Agosto, presidido por Zacarias de Góis e Vasconcelos. Nesse momento, vivia o país uma penosa guerra contra Solano Lopez – ditador paraguaio. Era a Guerra do Paraguai, ocorrida entre o Paraguai e a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai), durante os anos de 1864 e 1870.

Segundo Augusto de Lima Júnior (1966, p. 9-10), no panfleto Afonso Celso de Assis Figueiredo – ministro da marinha na hora amarga, “Tais eram a retidão de sua conduta, o seu amor ao estudo e o brilho de sua inteligência, que Teófilo Otoni o chamava de ‘Afonso Excelso’”. Em 13 de junho de 1888, recebeu o título de Visconde de Ouro Preto.

Atuou por quase trinta anos no parlamento brasileiro como deputado e senador do Império, sendo três vezes ministro: da Marinha, durante a Guerra do Paraguai; da Fazenda, em 1879; e do último ministério do Segundo Reinado – o Gabinete 7 de Junho de 1889. Nesse atuou como presidente a pedido de D. Pedro II. Entretanto, esse gabinete durou apenas cinco meses, pois no mesmo dia em que a República foi proclamada no Brasil o gabinete foi dissolvido, o Visconde foi preso e, em seguida, exilado para a Europa, com destino a Hamburgo, na Alemanha. Todas essas ações foram expedidas por ordem do Marechal Deodoro da Fonseca.

De acordo com Lima Júnior (1966), o Visconde de Ouro Preto pode ser considerado o representante da última geração da nobreza ouro-pretana. Outro dado interessante a seu respeito: o Visconde é o pai de Affonso Celso de Assis Figueiredo Júnior (Ouro Preto, 1860 – Rio de Janeiro, 1938) – o Conde de Ouro Preto. Entre dezembro de 1881 e 15 de novembro de 1889, o Conde de Ouro Preto exerceu a função de deputado ao parlamento como representante do então 20º Distrito Eleitoral de Minas Gerais. Portanto, governou quase oito anos e, como registro da vida política, deixou a obra Oito annos de Parlamento: reminiscências e notas, escrita em 1901. Apesar de ter tido, naquela conjuntura política, participação político-parlamentar menos densa que a do pai, foi eleito aos vinte e um anos de idade. Em suas palavras, quem lhe “[...] abriu as portas dessa carreira foi Visconde de Ouro Preto [...] devo-as a elle exclusivamente” (AFFONSO CELSO JÚNIOR, 1901, p. 16). Affonso Celso Júnior reconhecia a importância em ter sido apoiado pelo pai, pois se “[...] não fôra o amor paterno, sempre suspeito, – contrariar-se-há, – e tão cedo não conseguirieis a cadeira” (AFFONSO CELSO, 1901, p. 10)

Além do Parlamento, Affonso Celso Júnior atuou como professor, historiador, escritor; fundou o Jornal do Brasil, no qual colaborou por mais de trinta anos; foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras e sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Note-se que sua atuação política, assim como a de seu pai, encerrou-se em 15 de novembro de 1889, dia da Proclamação da República. Affonso Celso Júnior foi considerado, pelos republicanos, um “[...] dos filhotes, característicos da corrupção monarchica.” (AFFONSO CELSO, 1901, p. 16) e, na época, foi considerado também pelo então Ministro da Fazenda Ruy Barboza abominável no Brasil tanto quanto o pai.

Vê-se, assim, que se trata de uma família ouro-pretana bastante representativa do cenário de fim de regime monárquico e primeira década do regime republicano.


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Fonte:
NÁRLLEN DAYANE ADVÍNCULA MIGUEL: "DISCURSO E REPRESENTAÇÕES DA MEMÓRIA NO MANIFESTO O VISCONDE DE OURO PRETO AOS SEUS CONCIDADÃOS, DO VISCONDE DE OURO PRETO - 1891" (Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos da Linguagem da Universidade Federal de Ouro Preto.Orientador: Dr. William Augusto Menezes). Mariana, 2014.
Nota:
A imagem inicial inserida no texto não se inclui na referida tese.
As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra.
O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho.
Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade.

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