16/01/14

Através do Brasil, por Olavo Bilac e Manuel Bonfim

 Olavo Bilac e Manuel Bonfim - Atraves do Brasil - Iba Mendes
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As multifaces de "Através do Brasil"

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Com 66 edições, Através do Brasil perdurou como texto adotado nas escolas por mais de seis décadas. Algumas dessas edições puderam ser identificadas e são aqui enumeradas: 1913 (2ª edição); 1921 (7ª); 1937 (30ª); 1948 (36ª); 1953 (40ª); 1958 (43ª) e 1959 (44ª edição). Em 1965 o livro deixou de editado. A considerar os dados aqui apresentados, calcula-se, por alto, uma quantidade de mais de meio milhão de exemplares vendidos. A dificuldade no acesso a todas as edições impossibilitou um paralelo analítico entre elas.

A obra foi reeditada em 2000, pela Companhia das Letras, tornando-se então especificamente um objeto de memória. Mas essa edição privilegiou apenas o texto escrito, eliminando inteiramente a iconografia e as características gráficas anteriores. Suprimiu capítulos, modificou títulos, acrescentou outros e suprimiu partes do texto da primeira edição. Tais modificações ocorreram em função de a organizadora ter tomado como base a 43ª edição. Por isso, Moura aconselha que se procure, em qualquer análise sobre o livro Através do Brasil, recorrer à primeira edição (como o que neste texto se faz), pelo fato de muita coisa ter sido alterada entre aquela e a mais recente edição. Entretanto, é justo destacar a preocupação da organizadora em reavivar a obra, despertando na atualidade o interesse por conhecê-la e estudá-la, como um importante e imprescindível documento da história da educação brasileira e da história do livro didático.

Restam, agora, observações sobre os aspectos internos da obra. Para tanto é preciso partir da nota introdutória intitulada "Advertência e Explicação", em que Bomfim e Bilac expõem algumas das razões da confecção do livro destinado às primeiras séries das escolas primárias, enfatizando elementos que constituem os fios condutores da narrativa. Inicialmente os autores falam de uma exigência ou fórmula pedagógica da época, a de que as primeiras classes do ensino primário não deveriam ter outro livro que não fosse o de leitura. Nesse sentido, acreditam que o Através do Brasil corresponderia a tal exigência.

Em seguida, destacam a necessidade de ensinar à criança noções gerais do conhecimento humano, de forma que não se incorresse no erro de cair num enciclopedismo pedagógico, repassando conceitos dispersos e sem coerência. Criticam esse tipo de prática que em geral dominava a produção de livros didáticos da época, os quais consideram "amontoados didacticos, sem unidade e sem nexo, atravez de cujas paginas insípidas se desorienta e perde a intelligencia da criança...".

Mostram-se os autores preocupados com a adequação dos ensinamentos às necessidades da criança, às características da sua psicologia, acompanhando pari passu as fases do seu crescimento, sem queimar etapas. O propósito era produzir um livro para crianças respeitando as suas individualidades. Para tanto vêem no professor a figura essencial na tarefa de ministrar as noções gerais do conhecimento humano. Segundo eles não é ao livro que deve ser atribuído esse papel, pois é o professor quem ensina. Assim o livro didático é visto como um ingrediente que ajuda na concretização do processo de ensino-aprendizagem, mas há a consciência de que de nada vale a existência de um livro didático extraordinário, sem um professor extraordinário.

Além disso, o livro deve conter lições, "uma grande lição", no aspecto moral do termo. Daí o tom dramático da narrativa, especialmente no primeiro momento da história, uma estratégia dos autores para despertar o interesse inicial e imediato da criança, penetrando o quanto possível em seu sentimento.

Bomfim e Bilac enfatizam a importância da família. Aqui se percebe claramente o conceito tradicional de família, com sua composição modelar. Disso se depreende a importância conferida ao lar, que assume na educação da criança um papel fundamental, levando-se em consideração a harmonia familiar como pré-requisito para uma boa conduta moral, conseqüentemente social.

Postas essas observações, o que se pretende na seqüência é procurar percebê-las no corpo da narrativa, buscando não só interpretar e analisar o conteúdo da obra, como também verificar se os autores se mostram coerentes com o proposto na Introdução.

Merece destaque em Através do Brasil a ligação de elementos da narrativa com a biografia dos autores. Aguiar ressalta que algumas das personagens da obra, como Juvêncio, por exemplo, inspiram-se em figuras que fizeram parte da infância e da adolescência de Manoel Bomfim. O biógrafo do escritor sergipano chega a afirmar que a obra serviu como uma espécie de "exercício de saudade", em que os autores procuram registrar cenas de sua mocidade. Mas ele identifica, predominantemente, a presença de elementos biográficos de Bomfim. Referências de Bilac são raríssimas.

As personagens infantis ora assumem posturas típicas de crianças (despreocupadas, alegres e traquinas), ora portam-se como se fossem miniaturas de adultos. As características atribuídas a Carlos (o mais velho, o "chefe da família") são necessariamente as de um adulto. Seguidas vezes no transcorrer da narrativa, especialmente com Carlos, o leitor vê a criança posta diante do impacto da responsabilidade, em contato com a dureza da realidade, esquecida de atitudes que seriam próprias da infância.

E assim acontece com freqüência. Em alguns momentos, os irmãos portam-se com uma maturidade que escapa à própria idade. Dois deles merecem destaque. Primeiro, sendo personagens típicas de camadas médias da sociedade, passam por dificuldades na hora de viajar em busca do pai doente. A dificuldade de arrumar dinheiro leva os garotos a venderem os próprios relógios. Mais tarde, diante da situação de terem ficado órfãos, depois de saberem da suposta morte do pai, demonstram controle e força de espírito para seguirem firmes. Outra personagem que revela, também uma maturidade precoce é o garoto Juvêncio. Chega a servir como exemplo de fortaleza para Carlos e Alfredo, demonstrando sabedoria e esperteza nas situações em que se envolve, como na passagem em que tem de se defender da acusação de ser ladrão de cavalos.

A presença feminina é raridade na obra. Das 65 personagens de Através do Brasil, 53 (81,6%) delas são do sexo masculino e 12 (18,4%) do sexo feminino. Aos homens são atribuídos os principais papéis: Carlos, Alfredo (protagonistas) e Juvêncio (coadjuvante). As mulheres são apresentadas de forma muito secundária, geralmente identificadas sem nome (a mãe dos meninos, por exemplo), só pelas características ou funções, quase sempre inferiores. Quando não são mostradas em condutas estereotipadas — cândidas, prendadas, amantíssimas, simples e ingênuas —, aparecem na condição de velhas, amargas, pobres e faladoras. Somente no capítulo 31 há uma mulher com nome próprio: Maria das Dores, uma das poucas personagens femininas marcantes. Num dado momento da viagem dos meninos ela é a irmã que não tiveram, servindo de enfermeira para Alfredo, quando este adoece.

Nesse sentido, percebe-se que o livro didático reproduz a discriminação sexual existente na sociedade e vai além. Ele cria sua própria maneira de reforçar os papéis tradicionais que são atribuídos a homens e mulheres. O caráter repressor da escola fortalece os componentes de passividade que as meninas aprendem em todas as situações sociais. Às mulheres ficam reservadas as tarefas domésticas ou, no máximo, as "profissões femininas", mais desvalorizadas, quando trabalham fora. Aos homens estão destinados outros papéis, envolvendo ação, lazer, negócios. Seu universo é a rua, o mundo exterior à casa, que é considerada universo preferencial da mulher.

No aspecto social, é possível identificar algumas facetas marcantes na obra. Inicialmente a aparição de uma africana, nos capítulos 3 e 4, chama a atenção pelo que permite refletir. Os autores enfatizam três características na personagem: pobre, preta e velha. Tais adjetivos permitem fazer algumas observações. Primeiramente, a condição de pobreza da personagem em questão denuncia a situação de falta de assistência, pelo Estado, aos negros no pós-abolição; em seguida, a cor aparece como estigma de diferenciação étnico-social, enquanto a velhice é contraponto de novo e moderno. Além disso, há a condição de analfabeta (embora os autores não deixem entrever isso pela linguagem, que segue o padrão da norma culta). Observe-se que o tratamento dispensado pela mulher a Carlos, o mais velho dos meninos, é o de "Yô" (Senhor), expressão que por si só denota, também, uma condição de subserviência e respeito ao elemento branco do sexo masculino.

Duas particularidades referentes a essa personagem merecem atenção. A amizade que se forma entre os meninos e a negra africana descrita no quarto capítulo simboliza a idéia da convivência pacífica entre as raças, ideal que será retomado mais tarde por Gilberto Freyre, na construção da democracia racial. Tal amizade também vem enfatizar o papel da mulher. A "maternidade" da negra africana se manifesta nos cuidados dispensados aos meninos no seu primeiro contato com o mundo. Se Maria das Dores foi a irmã que não tiveram, a negra africana, por uns instantes, veio atenuar a ausência da saudosa mãe.

A obra sugere, portanto, um Brasil ideal, escamoteando o fosso existente entre as categorias sociais ou simplesmente negando-o sob a ótica da idealização da convivência fraterna.

Além dos negros, os indígenas aparecem no livro, no capítulo 6. Apesar de procurarem realçar a sua importância para a formação do espírito e para a identidade nacional, Bomfim e Bilac ainda rechaçam o que, ao seu ponto de vista, parece bárbaro, indigno dos primeiros habitantes: "Alfredo ouvia com grande attenção ao que o irmão lhe dizia. Mas não lhe saía da cabeça, particularmente, a idéia horrível dos banquetes de carne humana".

A essa altura, vale ressaltar o papel da família, que se apresenta como recorrente na obra. A valorização do amor fraterno é essencial para a constituição desse pequeno núcleo social. Por diversas vezes, Carlos relembra as orientações do pai quanto a se manter unido ao irmão, bem como a respeitá-lo e zelar por ele. A relação dos meninos com os pais em Através do Brasil faz lembrar a do menino Enrico, personagem principal do livro italiano Cuore, com seus pais. O sr. Meneses era, para Carlos e Alfredo, "simples e affectuoso, preferindo ser attendido e amado a ser obedecido e temido. Não castigava nunca os filhos: era para elles um amigo, um camarada, um companheiro". Note-se que essa camaradagem entre pai e filhos denota a idéia de que a família em Bomfim e Bilac era uma espécie de porto seguro, de referência central, mas a antiga imagem do patriarca dominador é suavizada.

Através do Brasil também se mostra um livro modelar nos exemplos de boa conduta moral. Suas páginas estão repletas de ensinamentos morais e de lições de vida. Sentimentos e valores como amizade, companheirismo, afeto, confiança, perseverança, cordialidade, hospitalidade, generosidade, caridade, carinho e cooperação são a todo o momento colocados em cena. Sua leitura deveria contribuir com a tarefa de formação de um povo que cultiva essas qualidades e assim garante a sua felicidade. Esta é a idéia dos autores, qual seja a de colaborar na construção de uma identidade e de uma nação.

A morte, por exemplo, é um tema recorrente no livro, como também o é em Contos Pátrios. A mãe dos meninos e os pais de Juvêncio são mortos. Depois, a morte de um engenheiro pernambucano provoca a suspeita de ter sido a morte do pai de Carlos e Alfredo. Finalmente, há o falecimento de Ricardo, um transeunte a quem os meninos socorreram no meio da estrada e que não suportou os sofrimentos físicos por que passava. Percebe-se que os autores querem mostrar que até mesmo desse inconveniente que persegue a condição humana é possível tirar grandes lições. Pode-se aprender, por exemplo, que tudo é efêmero e tênue e que o sofrimento caleja e amadurece a alma do indivíduo.

Se, entretanto, em torno da idéia de nação flui o argumento dessa obra e também por referência a ela são compostas as personagens, é preciso ver o que na sua abordagem a faz diferente de congêneres do período.

Em 1901 foi publicado o livro Por que me ufano do meu país de autoria do conde Afonso Celso. Escrito por ocasião do quarto centenário do descobrimento do Brasil, nele o autor se dizia tomado pela responsabilidade, ou pela missão, de transmitir ensinamentos visando à formação de valores, particularmente o do amor à pátria, suscitando dos leitores a disposição de dar, pela pátria, a própria vida. O Brasil é apresentado como o país perfeito, repleto de grandezas naturais que proporcionavam absolutamente tudo à sua população. Esta constituía, por sua vez, o melhor povo de todo o mundo: tinha os melhores engenheiros e arquitetos, os melhores aviadores, os melhores médicos, os melhores tipos humanos.

Afonso Celso apresenta onze pontos, a partir dos quais justifica o orgulho que sente do Brasil: a grandeza territorial, a beleza natural, a riqueza, o clima, a ausência de calamidades, a excelência dos elementos que entraram na formação nacional, as qualidades do seu povo (independente, hospitaleiro, ordeiro, paciente, doce, obediente, caridoso, acessível, tolerante e honrado), o fato de o país não ter sido humilhado com derrotas, a cordialidade, as glórias e a história. Todos esses aspectos fizeram do Por que me ufano do meu país um clássico dos livros de leitura de cunho nacionalista exaltado. Transformou-se numa referência para outras realizações do gênero, marcado pela visão ufanista e romântica de pátria. Para Oliva, "é uma espécie de declaração de amor à pátria, de amor como dever, que exige uma adesão incondicional e lealdade à custa da própria vida...".

Muitas dessas características aparecem em obras posteriores como, por exemplo, em Contos pátrios (1904), da dupla Olavo Bilac e Coelho Neto. Escrita no mesmo contexto do livro de Afonso Celso, foi confeccionada com luxo. Trata-se de uma composição com dezenas de contos, ora escritos por um, ora por outro dos autores, ricamente ilustrada, usando três cores básicas (vermelho, verde e azul). Em comum com o Por que me ufano do meu país, a escrita de Contos pátrios é marcada pelo patriotismo exaltado. Os conceitos de Pátria e Território fundamentam um discurso preocupado com a defesa dos interesses nacionais, com a manutenção dos limites territoriais do país como salvaguarda de sua identidade. No conto A pátria, por exemplo, de autoria de Bilac, dois aspectos chamam a atenção: a idéia de que a pátria deve estar acima de tudo, até mesmo da família, e a importância dada ao soldado como o mais puro e autêntico defensor dos destinos da nação.

Através do Brasil também pode ser inserido naquele contexto de desenvolvimento de um forte sentimento nacionalista. Na verdade, a obra busca contribuir com esse intento, embora tempere com menos ufanismo e mais substância a noção de patriotismo, contribuição que os estudiosos atribuem a Manoel Bomfim, uma vez conhecida a obra pessoal de Bilac ou os livros produzidos com outros parceiros. Evidentemente, Através do Brasil não foge por inteiro ao padrão dos livros voltados à exaltação da pátria. Um exemplo disso é a idéia de que a natureza é o fundamento da nação. As descrições naturais (paisagens) são marcantes em todo o livro. Elas passam a imagem de beleza, harmonia, grandeza e perfeição, uma espécie de "aquarela" do Brasil. Estes aspectos demonstram uma idéia muito presente tanto em Cuore como em Le Tour de La France par Deux Enfants, a busca da unidade na diversidade.

Para Freitas & Monteiro a natureza é, na narrativa de Bomfim e Bilac, o elemento capaz de dar materialidade à idéia de identidade nacional. O sentimento de pertencimento se concretizaria com a demonstração da grandeza do país, simbolizada na profusão de suas matas, rios e demais aspectos do meio natural brasileiro. Daí a necessidade de fazer em Através do Brasil um amplo panorama do território nacional, para perceber que todos os povos aqui encontrados se congregam para formar a grande família brasileira: "Os autores congregam todos os indivíduos sob o manto das cores nacionais. Já não são mais negros, brancos ou índios, mas um indivíduo único que se funda na mãe pátria".

A preocupação com a história e com o civismo marca o conteúdo pedagógico de Através do Brasil. Silva atribui isso à experiência de Manoel Bomfim como professor de Instrução Moral e Cívica da Escola Normal, desde 1897. Conhecer o Brasil torna-se oportunidade para formar e firmar o sentimento patriótico. Cada fato da viagem é pretexto para a transmissão de novas informações sobre o país, sua história, sua geografia.

Numa determinada cena da narrativa, surge a primeira oportunidade para os autores despertarem na criança a curiosidade sobre a História do Brasil. Diante de um velho engenho, o menino Alfredo especula sobre o tempo, calculando que a construção teria mais de mil anos. No ato, Carlos adverte o irmão: "não ha casa no Brasil que tenha mais de mil annos! pois se ha pouco mais de quatrocentos annos que o Brazil foi descoberto". A mesma técnica pedagógica é aproveitada em toda a seqüência da obra, não só e exclusivamente para a história. No capítulo 15, por exemplo, quando as crianças se vêem diante de morcegos e os dois irmãos sentem-se ameaçados por eles, é Juvêncio quem, experiente nas andanças pelo sertão, tranqüiliza-os falando sobre o reino animal.

A passagem pelo engenho revela, ainda, a decadência da região açucareira nordestina, contrastada ao progresso da região cafeeira do Sudeste. A dualidade entre o interior "atrasado" do Brasil rural e o crescimento das cidades, modernas, permeia a obra. A descrição de São Paulo, num dado momento, enfatiza muito bem esse contraste: "São Paulo possue muita cousa digna de ser vista: magnificos jardins, explendidas casas, bairros novos já animados, e muito boas escolas. O progresso d'esta terra nunca cessou".

Mas a noção de amor à pátria não é, em Através do Brasil, mera expressão do estilo panfletário de exaltação. Ela é condição para a construção da identidade nacional e é adquirida através da educação que, por sua vez, forma cidadãos. Eis aqui o ponto em que sobressai a face política da educação presente na obra. Ela lembra os ensinamentos do livro I do Emílio, onde esse ponto é enfaticamente problematizado. Para Rousseau, o homem da sociedade de seu tempo, mal socializado, é um híbrido teratológico, nem homem nem cidadão. Ficou a meio do caminho, na passagem para a ordem social.

Para transformar o homem natural em homem civil sem degradá-lo, Rousseau aponta as boas instituições e confia ao poder da educação a disciplina das paixões. A boa ordem e a boa educação é que vão permitir o transporte do eu (humano) para a unidade comum de modo a tornar relativo (parte) o que era absoluto (todo), com existência definida em função do corpo coletivo (a nação).

Mas Rousseau julga que para o êxito desse procedimento é preciso algo mais do que leis escritas; é preciso fomentar no indivíduo o espírito social e, com ele, um sentimento único: o de ser parte de um todo. Esta consciência e situação do ser social, então, vai ser mais do que algo passageiro, um estado de alma permanente, pelo qual o cidadão mostra não apenas conhecer o que é o bem, mas igualmente amá-lo.

Nisto consiste a grande contribuição de Através do Brasil: a propagação, por meio de uma obra didática, de um nacionalismo mais racional e reflexivo, capaz de encantar-se com as belezas naturais do país e com as grandezas do seu povo, mas capaz de ir além, levando o sujeito aprendiz a perceber a própria importância individual, enquanto cidadão, para a composição da nação.


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Fonte:
Claudefranklin Monteiro SantosI e Terezinha Alves de OlivaII: "As multifaces de "Através do Brasil" - Rev. Bras. Hist. vol.24 no.48 São Paulo  2004, publicado em: http://www.scielo.br/

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