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15/08/2015

Diários do Facebook, de Salomão Rovedo

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Disponível também em "Minhateca", no link abaixo:



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"Quando entrei no Facebook logo vi que ali não era meu quintal, estava mais perdido do que um paraibano no Himalaia, não era em definitivo a minha praia! Me vi diante de uma explosão de coisas e com o espaço diminuto para – atendendo pedido do editor – dizer o que eu estava pensando naquele momento. Sou de vastas palavras quando escrevo e quando converso. Não me basta uma ave-maria, senão um terço inteiro ou até mesmo uma novena."

10/10/2014

Como eu atravessei África (Diário), de Alexandre de Serpa Pinto

Como eu atravessei África, de Alexandre de Serpa Pinto pdf gratis
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Como foi preparada a Expedição

Em Paris fomos logo procurar a M. d’Abbadie, o grande explorador da Abissínia, e M. Ferdinand de Lesseps.

Deles ouvimos conselhos e recebemos os maiores obséquios.

Infelizmente, não encontramos no mercado, nem instrumentos, nem armas, nem artigos de viagem, tais como os desejávamos.

Foi preciso encomendar tudo.

Com uma recomendação especial de M. d’Abbadie, fomos procurar os construtores de instrumentos, e durante 10 ou 12 dias, Lorieux, Baudin e Radiguet trabalharam para nós.

Walker tinha-se encarregado dos artigos de viagem, Lepage (Fauré) das armas, Tissier do calçado, e Ducet jeune da roupa.

Feitas as encomendas em Paris, seguimos para Londres, e ali compramos os cronômetros, em casa de Dent, e alguns instrumentos em casa de Casela; uma boa provisão de sulfato de quinino, e muitos objetos de cautchouc na casa Macintosh, entre eles dois barcos e algumas banheiras.

Procuramos de balde em Londres, como tínhamos de balde procurado em Paris, um teodolito que tivesse as condições necessárias para uma viagem de tal ordem qual íamos empreender. Uns, ótimos para observações terrestres, não tinham as condições precisas para as observações astronômicas; outros, que reuniam as condições requeridas, eram intransportáveis, já pelo peso, já pelo volume.

Não havia tempo para fazer construir um de propósito, e de volta a Paris, tivemos de aceitar aquele que já antes nos tinha sido oferecido por M. d’Abbadie.

Recolhemos, em Paris, tudo o que tínhamos encomendado, e que tinha sido fabricado na nossa curta ausência; e no dia 1 de Julho, desembarcávamos eu e Capelo em Lisboa, completamente preparados para a nossa viagem; podendo assim cumprir o nosso compromisso, de partir para Luanda no paquete de 5. Tínhamos feito os preparativos em 19 dias.

Quando eu estudava o modo de me preparar para uma longa viagem em África, tinha procurado sem resultado em livros de viagens, o modo porque se tinham preparado outros viajantes.

Em todas as narrativas havia escassez de informações a esse respeito, e lembra-me ainda o quanto isso me enfadou.

Resolvi logo, se um dia chegasse a fazer uma viagem em África, e se dela escrevesse a narrativa, não ser omisso nessa parte, e dizendo quais os objetos de que me provi, dizer quais os que me prestaram serviços reais, e quais os que me foram carga inútil.

A história das explorações de África está no seu começo.

Muitos exploradores me sucederam em África, como eu sucedi a muitos, e creio fazer um bom serviço àqueles que depois de mim se aventurarem no inóspito continente, apresentando-lhes agora uma relação dos objetos de que me provi; e logo, no correr da minha narrativa, as vantagens ou os inconvenientes que neles encontrei.

Segundo as instruções que do Governo tinha recebido, podia demorar-me três anos em viagem, e para isso me preparei.

A experiência tinha-me mostrado, o grave inconveniente de me sobrecarregar de bagagens; e francamente declaro, que fiquei aterrado quando, em Lisboa, vi o enorme trem comprado em Paris e Londres.

Só malas tínhamos 17! todas das mesmas dimensões, 0m,3 x 0m,3 x 0m,6.

Uma era toucador perfeito, contendo um grande espelho, uma bacia, caixas para escovas e mais objetos competentes; outra continha um serviço de mesa e chá para três pessoas; e uma terceira o trem de cozinha.

Três outras malas de forte sola deviam conter cada uma o seguinte:-4 frascos de quinino, uma pequena farmácia, um sextante, um horizonte artificial, um cronômetro, umas tábuas logarítmicas, umas efemérides, um aneroide, um hipsômetro, um termômetro, uma bússola prismática, uma bússola simples, um livro em branco, lápis, papel e tinta; 50 cartuchos para cada arma; um vestuário completo, e três mudas de roupa branca; isca, fuzil, pederneiras, e alguns pequenos objetos de uso pessoal.

Cada uma destas malas tinha na parte superior um estojo de costura, escrivaninha e lugar para papel. Eram pessoais, e pertencia cada uma a um de nós.

As outras 10 malas continham indistintamente roupas, calçado, instrumentos, e outros objetos de reserva. Todas tinham fechaduras iguais e abriam com a mesma chave.

A nossa barraca era uma tente marquise de 3 metros de lado por 2 m, 3 de alto. As camas eram de ferro, fortes e cômodas. As mesas de tesoura, os bancos e cadeiras de lona.

Todos estes artigos foram da fábrica de Walker.

Cada um de nós tinha uma carabina magnífica de calibre 16, cujos canos, forjados por Leopoldo Bernard, tinham sido cuidadosamente montados por Fauré Lepage.

Uma espingarda do mesmo calibre da fábrica de Devisme, uma Winchester de 8 tiros, um revólver e uma faca de mato completavam o nosso armamento.

Em Lisboa tinha eu encomendado na Confeitaria Ultramarina 24 caixas, das mesmas dimensões das malas, contendo, em latas cuidadosamente soldadas, chá, café, açúcar, hortaliças secas, e farinhas substanciais. Hoje devo aqui lavrar um alto agradecimento ao Sr. Oliveira, proprietário da mesma fábrica, pelo escrúpulo que teve na escolha dos gêneros que nos forneceu, e que muito nos serviram no começo da viagem.

Os instrumentos que levamos foram os seguintes: 3 sextantes, sendo um de Casela, de Londres; um de Secretan, e um de Lorieux, verdadeiro primor. Dois círculos de Pistor, fabricados por Lorieux, com dois horizontes de espelho, e os competentes níveis. Um horizonte de mercúrio de Secretan. Três lunetas astronômicas de grande força, duas de Bardou e uma de Casela. Três pequenos aneroides, dois de Secretan e um de Casela; 4 pedômetros, dois de Secretan e dois de Casela. 6 bússolas de algibeira; 1 bússola Bournier de Secretan; 3 outras azimutes, duas de Berlin e uma de Casela; 2 agulhas circulares Duchemin; 6 hipsômetros Baudin, 1 de Casela, 3 de Celsius de Berlin, dois mais muito sensíveis de Baudin; 12 termômetros de Baudin, Celsius e Casela; 1 barômetro Marioti-Casela; 1 anemômetro Casela; 2 binóculos Bardou; 1 bússola de inclinação, e um aparelho de força magnética, que nos foram obsequiosamente emprestados pelo Capitão Evans, por entremeio de Mr. d’Abbadie. E finalmente, o teodolito universal d’Abbadie, que tem o nome de Aba, e que tão cavalheirosamente nos foi cedido pelo seu inventor.

Armas, instrumentos, bagagens, todos os artigos, enfim, tinham gravado o seguinte letreiro-Expedição Portuguesa ao interior de África Austral, em 1877.

Duas caixas, contendo o necessário para conservar exemplares zoológicos e botânicos nos foram enviadas pelos Srs. Dr. Bocage e Conde de Ficalho.


Ferramentas dos diversos ofícios aumentavam este enorme trem, com que íamos deixar Lisboa, para nos internarmos nos sertões desconhecidos da África Austral. 

26/11/2013

Diário Íntimo, de Lima Barreto

Diario Intimo de Lima Barreto
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De Extravagante a Íntimo: o Diário de Lima Barreto  


As anotações que compõem as páginas da segunda edição do diário de  Lima estendem-se de 1900 a 1921. Visto tal número de anos, o leitor imaginará  que esse diário é relativamente longo, dado se nesse intervalo de vinte e dois  anos Lima houvesse tomado nota diariamente. Contudo, logo que passamos  folheá-lo percebemos  a  falta  de  regularidade  das anotações. Esse  aspecto  pode ser verificado pela ausência de notas ao longo dos anos de 1901, 1902 e  1909. Vale destacar que em nenhuma das edições foi verificado qualquer tipo  de  registro nesses anos, ou  seja, reduz-se  então  para dezenove  anos o  período anotado nesse diário. 

Em  relação  ainda  à  regularidade  da  escrita, há  outro aspecto  a  sublinhar: ao longo desse período de escritura em nenhum dos anos constam  anotações diárias. Ao contrário, as notas são bem esparsas, o que quer dizer  que há registros de alguns dias de determinados meses. O talhe das    anotações  é  também  bem  variável, enquanto  há  notas  desenvolvidas ao  longo  de  duas  páginas, outras não passam de uma ou duas linhas, traço comum nos diários,  já que o ritmo da escrita depende da vontade e da disponibilidade do diarista.  Do mesmo modo, há dias em que Lima tomou várias notas a respeito dos mais  variados assuntos, em outros, escreveu apenas uma nota.

O ano de 1905 é o de registros mais abundantes. Somente no mês de  janeiro  verificamos  vinte  notas, além  de  outras não  sequenciais ao  longo dos  meses de fevereiro, junho, julho e outubro. As entradas das anotações é outro  traço relevante, são assinaladas ora por data mais a indicação do mês, ora por somente data ou por somente mês e há ainda entradas não datadas, essas, a  nosso ver, figuram no diário mais pela escolha de Barbosa do que pelo caráter  que define entradas diarísticas – datação. Se por um lado o fato de muitas das  entradas serem  datadas, marca formalmente  o  intuito  de  escrever um  diário,  traço indispensável para esse gênero, por outro as notas sem data assinalam a  intervenção do organizador.

É  interessante  observar que  Lima  percebeu  a  falta  de  sequência na  escritura do diário, chegando a comentar:

Há mais de dez dias que não tomo notas. Nada de notável  me há impressionado, de forma que me obrigue a registrar.  Mesmo nos jornais nada  tenho  lido  que  me  provoque  assinalar, mas como entretanto eu queria ter um registro de  pequenas,  grandes,  mínimas idéias, vou  continuá-lo diariamente (DI, p. 99 - 20 de fevereiro de 1905).  

Esse  excerto demonstra que  Lima  atentava  para esta  característica  do  diário – a periodicidade, aspecto fundamental na confecção desse gênero que  ele procurava  respeitar. Seguindo  Dider (op. cit., p.  09), Lima  poderia  ser  considerado o tipo de diarista negligente [nonchalant] “que fica em atraso, visto  isso,  esforça-se  para  tapar  quinze  dias,  um  mês de  silêncio e  em  branco  no  di rio” (tradução nossa), posto não manter suas notas em dia. 

O uso  dos advérbios de  tempo  – hoje  e ontem, pontua  o  registro de  muitas das entradas respectivamente  no  dia  relativo  aos fatos narrados e  no  dia anterior. Outro marcador de  regularidade  da  escrita  é, como  no  trecho  supracitado, a  indicação  da  quantidade  de dias nos quais Lima  nada anotou:  “Desde domingo que não tomo notas. Hoje, 17, vou recapitular estes três dias” (DI, p. 86 – 17 de janeiro de 1905). Nota-se aqui se tratar de uma terça-feira,  pois na sequência, ele passou a relatar os acontecimentos de domingo, depois de segunda, em seguida, usou o advérbio hoje para marcar os fatos de terça-feira. Passados alguns dias,  em  24  de  janeiro  desse  mesmo  ano, registrou  novamente: “Desde  s bado, ou  antes, desde  sexta-feira  (20), que  não  tomo  notas” (DI, p. 89). 

A linguagem usada no Diário é bem coloquial, permeada por adjetivos e  advérbios que intensificam as descrições feitas, revelando os efeitos de cada  situação em Lima Barreto. Chama a atenção, o uso contínuo de palavras em  francês, tais como  –           chance, toilette, flirt,  gauche, touristes, rendez-vous, dentre outras. Sinais  de  reticência, pontos de  exclamação  e  travessões,  abundam  nas páginas  desse  diário, marcando  o  caráter subjetivo  próprio  do  diário íntimo. 

Conforme  podemos observar, conquanto  Lima  se  esforçasse  para  manter seu  diário  em  dia,  a  periodicidade  de  sua  escritura  configura-se  de  forma  bastante  diversa.  Talvez  esse  fato  sinalize  para o  tipo  de  vida  levado  pelo autor que  teve  uma  existência conturbada, marcada  especialmente  pela  doença do pai e pela falta de recursos financeiros da família. Acreditamos ser  possível atribuir  aos  diversos problemas  pessoais do  autor essa  falta  de  regularidade  das anotações, além  de  não  descartamos a  possibilidade  de  sumiço de  páginas íntimas. Vale ressaltar as duas internações no  Hospício  Nacional de Alienados por causa do alcoolismo – de agosto a outubro de 1914  e, mais tarde, do dia de natal de 1919 a fevereiro do ano seguinte. 

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Fonte:
Isabela da Hora Trindade: “Páginas íntimas - o diário extravagante de Lima Barreto”. (Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados  de  Literaturas de  Língua  Portuguesa  da Faculdade de  Filosofia, Letras e Ciências  Humanas da  Universidade  de  São  Paulo  para a  obtenção  do  título de  Mestre em  Letras.   Orientadora: Profa. Dra. Fabiana Buitor Carelli). São Paulo, 2012